- A Fifa vetou a ilustração da Revolução haitiana na camisa da seleção do Haiti, considerada manifestação política.
- O desenho mostrava a Batalha de Vertières (1803), marco decisivo para a independência de São Domingos, hoje Haiti.
- O Haiti estrearia na Copa do Mundo no sábado, 13, sem a imagem histórica na camisa.
- A equipe se classificou para o torneio ao vencer a Nicarágua por 2 a 0 nas Eliminatórias, em 18 de novembro de 2025.
- Historiadores destacam que o caso segue um padrão de silenciamento histórico e racista, que já ocorreu em outras ocasiões envolvendo o Haiti.
O Haiti não levará à Copa do Mundo a imagem de uma revolta alçada à história nacional em seu uniforme. A FIFA vetou a ilustração por considerar a peça como manifestação política, proibida pelo regulamento da entidade.
A imagem mostrava pessoas carregando uma bandeira vermelha e branca, referência à Batalha de Vertières, em 1803. A explicação foi divulgada ao The Athletic, ligado ao The New York Times, indicando o objetivo de celebrar a independência haitiana.
O desenho ganhou relevo por associar-se ao momento que consolidou a abolição da escravatura e a independência do Haiti. A vitória sobre a França ocorreu durante as Eliminatórias da Copa, em jogo vencido pelo Haiti por 2 a 0 contra a Nicarágua no dia 18 de novembro de 2025.
Contexto histórico da imagem
Especialistas destacam que a revolta haitiana — liderada por Toussaint Louverture, Dessalines e Christophe — é considerada marco anticolonial. A discussão envolve memória histórica e representações de sujeitos não brancos na construção política.
O historiador Gabriel Léccas ressalta que o episódio também confronta narrativas que marginalizam a participação negra na história. Ele aponta que o tema é sensível por ligações com a identidade e a cidadania.
Repercussões e memória
A decisão de censorar símbolos históricos não é inédita. Em fevereiro, o COI proibiu uma imagem de Toussaint Louverture em uniformes haitianos usados em Jogos de Inverno, também sob argumento político.
Léccas afirma que tais censuras refletem disputas sobre memória e poder. Segundo ele, impedir representações históricas dificulta o debate sobre o protagonismo de lideranças negras nas lutas por direitos.
O Haiti mantém o foco na participação mundial, com a ausência da ilustração histórica em sua camisa na estreia da Copa. A seleção segue determinada a disputar o torneio, independentemente da imagem removida.
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