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Quando o futebol encontra o ego mais evidente

História da Copa mostra como política e poder tentam dominar o torneio, mas a magia do jogo costuma resgatar a competição

Russian President Vladimir Putin kicks a ball as he takes part in the opening of an exhibition soccer match before the World Cup in Moscow's Red Square on June 28, 2018.
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  • A obra The Power and the Glory, de Jonathan Wilson, revisita a Copa do Mundo como veículo para além do futebol, mostrando como o torneio refletiu regimes e sociedades desde mil novecentos trente e quatro.
  • Exemplos históricos incluem a vitória da Alemanha Ocidental em mil novecentos cinquenta e quatro para reintegrar o país ao cenário global, a chamada “Guerra do Futebol” de mil novecentos sessenta e nove e a confiança gerada pela Croácia em mil novecentos noventa e oito.
  • O livro é crítico em relação à FIFA, destacando os casos de corrupção sob João Havelange e Sepp Blatter, os arrestos de mil e quinze e o comportamento de Gianni Infantino no contorno com o presidente Donald Trump.
  • Em mil e vinte e seis, a Copa ocorre num contexto de imigração, calor extremo agravado pelas mudanças climáticas e um país anfitrião que pode usar o torneio para autorreforço político, com restrições de visto e possível abstenção de torcedores.
  • Mesmo diante do circo político, a “magia” do futebol costuma prevalecer, lembrando momentos marcantes de Messi e a seleção argentina, e a esperança de que os jogadores deem ao torneio o senso de valor que encanta fãs ao redor do mundo.

O livro The Power and the Glory de Jonathan Wilson traça a história da Copa do Mundo desde 1930, mostrando que o torneio já serviu para muito mais que futebol. O autor analisa como hostings revelaram identidades nacionais e tensões políticas ao longo de quase um século.

Wilson reúne episódios em que regimes usaram o Mundial para propaganda, desde Mussolini em 1934 até a ditadura argentina em 1978 e a imagem de normalidade projetada pela Rússia de 2018. O autor sustenta que o torneio funciona como espelho político, além de competição esportiva.

A obra descreve a trajetória do esporte ao longo das edições, destacando momentos de destaque como a vitória alemã de 1954, a Guerra do Futebol de 1969 entre El Salvador e Honduras, e o impacto da campanha croata de 1998. O foco é entender o que cada país revela durante o evento.

Para 2026, o tema central é a relação entre a Copa, a política e o ego de líderes globais. O texto analisa a influência de figuras como Donald Trump, destacando a inauguração do FIFA Peace Prize e a proximidade com Gianni Infantino, presidente da FIFA. A reportagem aponta como isso amplia o ambiente de rivalidade entre esporte e poder.

A narrativa também contextualiza a recepção mundial do torneio, registrando que a Copa já teve plateias bilionárias, segundo estimativas da FIFA. Em paralelo, o livro ressalta momentos de redenção no campo, quando o futebol superou abusos de governantes e de estruturas administrativas.

Sobre o cenário atual, a análise aponta que Trump representa um caso atípico de exposição midiática, diferente de regimes anteriores que buscavam legitimação esportiva. O texto descreve como Infantino, segundo Wilson, buscou aproximação com o ex-presidente para ganhos de visibilidade.

Por fim, o autor mantém uma visão de otimismo contido: a Copa “sobreviveu” a Mussolini, à ditadura argentina e a escândalos recentes, e pode resistir a pressões de 2026. A ideia central é a resiliência do futebol diante de ambições políticas e de ego, preservando a essência do jogo.

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