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Clubes da Série A com dívida de R$ 17 bilhões buscam equilíbrio financeiro

Endividamento acima de R$ 17 bilhões na Série A acelera aposta em equilíbrio orçamentário via Sistema de Sustentabilidade Financeira e gestão profissional

Troféu da Série A do Brasileirão (Foto: Lucas Figueiredo/ CBF)
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  • Em 2025, clubes da Série A registraram receitas de R$ 14,3 bilhões, mas acumularam dívidas de R$ 17,3 bilhões, pressionando operações com salários e contratações.
  • O Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) foi criado pela CBF para impor limites de gasto com elenco e exigir equilíbrio operacional, com monitoramento da ANRESF entre 2026 e 2028.
  • Mirassol se destacou pela eficiência: receita de R$ 183 milhões e EBITDA de R$ 64 milhões, em dívida líquida de R$ 41 milhões e folha de pessoal de R$ 77,5 milhões.
  • Juventude manteve equilíbrio financeiro na Série A de 2025: receita de R$ 137 milhões, EBITDA de R$ 33 milhões e dívida líquida de R$ 1 milhão, com custos de pessoal em volta de R$ 59 milhões.
  • Adoção de SAFs e casos como Cuiabá e Paraná Clube indicam foco em planejamento, governança e sustentabilidade para a gestão de longo prazo no futebol brasileiro.

O futebol brasileiro registrou receitas recordes em 2025, mas o crescimento foi acompanhado por aumento do endividamento. Segundo o Relatório Convocados, elaborado pela OutField em parceria com a Galapagos Capital, clubes da Série A movimentaram 14,3 bilhões de reais, o maior valor da série histórica. No mesmo período, as dívidas somaram 17,3 bilhões de reais, pressionadas por salários e contratações de curto prazo.

A adoção de medidas de controle financeiro ganhou impulso, com o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), criado pela CBF. Entre 2026 e 2028, há implantação gradual e monitoramento pela ANRESF, estabelecendo limites de gasto com elenco e equilíbrio operacional para Séries A e B.

Mirassol: eficiência operacional e caixa positivo

O Mirassol, que disputou a Série A pela primeira vez em 2024, aparece entre os destaques financeiros. Em 2025, o clube registrou receita de 183 milhões de reais, alta de 341% em relação a 2024. O EBITDA atingiu 64 milhões, aumento de 603%.

O clube encerrou o ano com dívida líquida de 41 milhões e caixa suficiente para cobrir pagamentos. Custos de pessoal ficaram em 77,5 milhões, um dos menores da competição, enquanto as demonstrações financeiras foram aprovadas sem ressalvas.

Juventude: estabilidade financeira e controle de passivos

O Juventude manteve desempenho estável na Série A de 2025, com receita total de 137 milhões de reais, queda de 3% frente a 2024. O EBITDA somou 33 milhões, mantendo operação no azul, apesar da redução de 26% no indicador.

O clube gaúcho fechou o ano como aplicador líquido, com dívida líquida de 1 milhão de reais. Custos de pessoal ficaram em torno de 59 milhões, mantendo a menor folha entre os avaliados na liga.

Dados de gestão mostram a estratégia de longo prazo do Juventude, que enfatiza planejamento e sustentabilidade financeira para sustentar competitividade sem endividamento excessivo. O presidente Fabio Pizzamiglio destacou a prioridade em equilibrar futebol e estrutura institucional.

O impacto das SAFs e o mercado

O avanço das SAFs e a profissionalização da gestão esportiva impactam a governança e a previsibilidade. Especialistas apontam que investidores buscam projetos sustentáveis a longo prazo, com controles financeiros mais rigorosos.

Cuiabá: planejamento integrado ao futebol

O Cuiabá foi pioneiro na transformação em SAF em 2021, seguindo a Lei da SAF. O clube integra planejamento administrativo à competitividade na elite, com governança e visão estratégica alinhadas à sustentabilidade financeira.

Paraná Clube (SAF): reestruturação de passivo

O Paraná Clube formalizou a transição para SAF em 2026, com a Next Play assumindo a gestão. Em cinco meses, o clube renegociou dívidas superiores a 240 milhões de reais e ampliou o programa de sócio-torcedor de 800 para 5 mil ativos. A equipe conquistou vaga invicta à Série A do estadual, com boa presença de público.

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