- Atlético-MG lidera com R$ 2,632 bilhões de dívidas, alta em relação a 2024, em parte pela Arena MRV.
- Corinthians soma R$ 2,466 bilhões de dívidas, com custo da Neo Química Arena; Botafogo apresenta R$ 2,525 bilhões, segundo colocado.
- Economista César Grafietti diz que o problema não é apenas arenas, e sim gestão equivocada ao longo dos anos.
- Projeção de amortização com reserva de 20% das receitas: Atlético leva 41,2 anos, Botafogo 24,6 anos e Corinthians 23,4 anos; juros atuais da Selic agravam o cenário.
- Dívida versus receita: Atlético-MG supera 3,9 vezes a receita anual; Corinthians, 2,5 vezes; Botafogo, 1,84 vez; Santos e Internacional aparecem em problemas semelhantes em escala menor.
O Atlético-MG, o Corinthians e o Botafogo concentram 43% das dívidas do esporte brasileiro, segundo relatório financeiro do setor. O levantamento aponta que, juntos, somam mais de R$ 7,6 bilhões em débitos, com impactos em curto prazo e necessidade de ajustes.
O estudo destaca que o peso da dívida não se explica apenas pelo custo de estádios. Gestões inconsistentes ao longo dos anos são citadas como principal fator, com despesas superiores às receitas em diversas temporadas.
Dívidas e cenário
O Atlético-MG lidera com R$ 2,632 bilhões em dívidas, ante R$ 2,324 bilhões em 2024. Parte desse montante vem da Arena MRV. O Corinthians registra R$ 2,466 bilhões, incluindo o custo da Neo Química Arena. O Botafogo aparece com R$ 2,525 bilhões, o maior aumento entre 2024 e 2025.
Grafietti ressalta que arenas não explicam sozinhas os números. Segundo o economista, contratos mal alinhados com a capacidade de arrecadação pesam mais que a construção de estádios. Além disso, o Botafogo teve alta dívida apesar de venda de atletas.
Segundo ele, o modelo de gestão envolve gastos acima da receita, contratações desencontradas e atraso de encargos para manter a competitividade. No caso do Corinthians, o estádio também entra no total, somando-se a gastos adicionais.
A projeção de amortização com reserva de 20% das receitas indica 41,2 anos para o Atlético-MG, 24,6 para o Botafogo e 23,4 para o Corinthians, no ritmo atual. Juros altos, com a Selic em 14,5%, agravam o desafio.
Relacionamento com receitas
O endividamento de cada clube é, hoje, superior a 3 vezes a receita anual do Atlético-MG, 2,5 vezes a do Corinthians e 1,84 vez a do Botafogo. O custo financeiro representa parcela expressiva das receitas de cada um, dificultando renegociações mais favoráveis.
Grafietti explica que parte das dívidas é fiscal e pouco pode ser alongada. Renegociações já em curso reduzem custos, mas não eliminam o peso da dívida de curto prazo.
Outros clubes em situação semelhante
O economista aponta que Santos e Internacional também enfrentam problemas, ainda que em escala menor. Segundo ele, gestões ruins no período recente ampliam o fosso entre despesas e receitas, criando condições de endividamento persistente.
— Atlético-MG, Botafogo e Corinthians mostram gestão financeira problemática. Em dois anos houve efeito cascata que pode se repetir em clubes com estruturas parecidas, como o Internacional e o Santos — afirma Grafietti.
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