- A Justiça de São Paulo ameaça nomear um interventor judicial no Corinthians se houver inconsistências na declaração de receitas de fevereiro de 2026, conforme intimação divulgada na quarta-feira.
- O clube declarou cerca de R$ 64.202.368,75 em fevereiro, mas o administrador judicial aponta entradas de R$ 213.414.738,29, resultando numa diferença de R$ 149.212.369,37.
- O caso envolve o Regime de Centralização de Executivos (RCE), mecanismo usado pelo clube para parcelar dívidas judiciais.
- A intimação ordena que o clube se manifeste sobre as inconsistências e avisa que a resistência em fornecer documentos pode levar à nomeação de observador ou interventor judicial.
- O plano de pagamento do RCE prevê créditos distribuídos com 4% a 6% das receitas, sendo 30% para credores preferenciais e 70% para credores comuns; o Corinthians tinha 20.263.768,87 em contas em 24 de fevereiro, com dívida imediata estimada em cerca de 226 milhões, diante de perdas prováveis de aproximadamente 700 milhões.
A Justiça de São Paulo ameaçou nomear um interventor judicial no Corinthians após o clube declarar cerca de 150 milhões de reais a menos de receitas no mês de fevereiro. A decisão foi publicada na noite de quarta-feira e intimou o clube a se manifestar sobre as inconsistências. A ação traz à tona informações já reveladas pela ESPN.
O perito designado pelo tribunal aponta que o Corinthians declarou exatamente 64.202.368,75 reais de receita em fevereiro, enquanto a análise aponta 213.414.738,29 reais. A diferença entre os valores chega a 149.212.369,37 reais.
O processo envolve o Regime de Centralização de Execuções, mecanismo que permite ao clube negociar o parcelamento de dívidas executadas na Justiça. O administrador judicial solicitou a intimação para manifestar-se e pedir medidas para evitar prejuízos aos credores.
O documento destaca ainda a possibilidade de disponibilizar recursos decorrentes de vendas de atletas para um leilão reverso. Caso não seja cumprida a exigência, essas verbas poderiam entrar no pagamento do mês seguinte.
Entre as partes, o empresário André Cury, que representa o atacante Yuri Alberto, acionou o tribunal pedindo a suspensão do regime. A defesa argumenta que a declaração de receitas menores ocorreu na véspera de pagamentos previstos no plano de quitação.
O plano homologado pela Justiça prevê pagamento aos credores com base em percentuais de receitas, com teto mínimo de 4% no primeiro ano, 5% no segundo e 6% a partir do terceiro. Também está prevista uma parcela de 30% para credores preferenciais e 70% para credores comuns.
A contabilidade do Corinthians indicaria, no dia 24 de fevereiro, saldos bancários de cerca de 20,26 milhões de reais. O valor total estimado de perdas prováveis no RCE fica aquém dos 700 milhões de reais documentados no decorrer do regime.
O Corinthians informou à ESPN que ainda não havia sido formalmente intimado a se manifestar e que a divergência tratava-se de um saldo de caixa a ser conciliado com a contabilidade, em conjunto com o administrador judicial. O clube foi consultado novamente, mas não havia manifestação até o momento.
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