- Lesões e perda de jogadores importantes passaram a representar prejuízos esportivos e financeiros, tornando a gestão física do elenco uma prioridade.
- Sono, nutrição e monitoramento fisiológico ganham protagonismo na busca por longevidade e desempenho estável ao longo da temporada.
- A healthtech brasileira EON 2Life trabalha com monitoramento fisiológico e personalização de estratégias de saúde para reduzir riscos e manter atletas disponíveis.
- Nutrição ainda é vista como coadjuvante em muitos clubes, e a saúde intestinal é pauta pouco explorada, com impactos na recuperação e no rendimento.
- A atenção ao cuidado com a saúde se estende às categorias de base e ao futebol feminino, onde há necessidade de adaptar protocolos às fases de crescimento e às variações hormonais.
O futebol vive uma disputa pela longevidade dos atletas. Lesões frequentes, principalmente em fases decisivas da temporada, prejudicam equipes e orçamentos. Calendários densos, viagens e jogos consecutivos elevam o risco de desgaste físico e afastamentos.
A biomédica Ursula Coelho, CEO da EON 2Life, disse ao Lance! que a gestão deve sair do modo reativo para o estratégico. Segundo ela, sono, nutrição e monitoramento passam a sustentar o desempenho ao longo da temporada, não apenas a recuperação após o problema.
A mudança envolve abrir espaço para novos protagonistas na alta performance. O cuidado com o corpo passa a considerar base fisiológica, antes do treino, recuperação ou competição, para ampliar a disponibilidade dos atletas.
Longevidade começa na rotina
A proposta é inverter a lógica tradicional do esporte de alto rendimento. Em vez de priorizar apenas a performance máxima, o foco recai sobre sono, alimentação, rotina e leitura de sinais fisiológicos. O objetivo é manter o corpo estável ao longo da temporada.
A ideia é que o organismo funcione como uma bateria. Recargas adequadas reduzem falhas invisíveis que comprometem o rendimento e elevam o risco de lesões. Movimento, nutrição equilibrada e monitoramento personalizado completam o quadro.
Nutriente central ainda em evolução
Apesar de avanços médicos, a nutrição não ocupa posição central nas estratégias esportivas. Em temporada com jogos a cada três dias, pequenas falhas na recuperação geram impactos cumulativos, como inflamações leves e fadiga. A disponibilidade do elenco torna-se diferencial.
A especialista afirma que ter mais atletas aptos em momentos decisivos pode alterar a estratégia tática. O olhar para a saúde e para a recuperação pode ter impacto maior do que se imagina.
Saúde intestinal e bases de formação
A saúde intestinal recebe menos atenção, mas influencia absorção de nutrientes, resposta imune e foco. Viagens, fusos horários e estresse afetam o funcionamento do intestino, contribuindo para indisposições ao longo do calendário.
A preocupação se estende às categorias de base. Adolescentes em crescimento são mais vulneráveis a déficits nutricionais que prejudicam recuperação e desenvolvimento esportivo. Recuperação eficaz depende de reposição adequada de nutrientes.
Futebol feminino e necessidade de personalização
No futebol feminino, a maior parte das pesquisas foi baseada em organismos masculinos. Oscilações do ciclo menstrual afetam metabolismo, retenção de líquidos e recuperação. Protocolos personalizados ajudam a reduzir variações de performance.
A personalização envolve adaptar planos de nutrição, sono e treino às características hormonais de cada atleta, reduzindo impactos de flutuações naturais.
Prevenção como estratégia central
Frente a investimentos bilionários, clubes têm visto a disponibilidade de elenco como vantagem competitiva. Em calendários densos, reduzir lesões e manter atletas aptos permite ajustes táticos mais estáveis.
Ferramentas de monitoramento fisiológico são cada vez mais utilizadas. A EON 2Life atua ao integrar dados de wearables para orientar hábitos, rotina e alimentação, com objetivo de identificar sinais precocemente e evitar afastamentos.
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