- A UDA, principal clube formador de futebol feminino em Alagoas, volta à Série A2 do Brasileirão após desistências de outras equipes, mudando o planejamento para manter a participação nacional.
- O clube mantém o foco na base, com categorias que vão de sub‑15 a profissional, e já revelou jogadoras para o cenário mundial, incluindo Geyse Ferreira.
- A participação na Copinha Feminina, em janeiro, representou um avanço importante, ainda que a logística tenha sido um desafio para sair de Alagoas.
- Ninguém no elenco tem contrato profissional; as atletas trabalham com vínculos não profissionais, e a sustentabilidade depende principalmente de patrocínio público do governo local e de cotas da Confederação Brasileira de Futebol.
- O retorno à A2 tem como objetivo a permanência na competição e, nos próximos cinco anos, fortalecer a base para competir de igual para igual com clubes tradicionais do país.
O UDA (União Desportiva Alagoana) voltou à Série A2 do Brasileirão Feminino, em função das desistências ocorridas no torneio nacional. O clube, de Maceió, afirmou que a mudança, embora não planejada, representa uma oportunidade de manter a presença nacional e estimular a base.
Fundado em 2010, o UDA é reconhecido como o principal formador do futebol feminino em Alagoas. Geyse Ferreira, atacante que atuou pela Seleção Brasileira e pelo Barcelona, teve seus primeiros passos no clube, que segue investindo na formação de atletas desde as categorias de base até o profissional.
O retorno à Série A2 foi confirmado após as desistências de equipes no Brasileirão. Bruno Barbosa, supervisor do futebol feminino, disse que a decisão exigiu ajuste de planejamento: era para jogar a A3 com foco no acesso, e a saída acabou abrindo espaço para a A2.
Um projeto que nasce da base
O UDA se consolidou como o principal clube de futebol feminino de Alagoas, mantendo forte atuação na base. Hoje, o projeto envolve sub-15, sub-17, sub-20 e profissional, com participação constante em torneios nacionais de base. A visão é manter a visibilidade do estado no cenário nacional.
Para Bruno, o clube já revelou jogadoras que alcançaram voos maiores, como Laí, que se transferiu para o Grêmio e chegou a ser chamada para a Seleção Brasileira de base. A ideia é continuar promovendo talentos locais e encaminhando as jogadoras para clubes maiores.
Desafios de sustentabilidade e contratos
Apesar da presença nacional, o clube opera sem contratos profissionais para as atletas. A equipe mantém vínculos não profissionais a partir dos 14 anos, devido à ausência de sustentabilidade financeira para contratos CLT. A CBF determinou que, a partir de 2026, todos os contratos do Brasileirão A1 deverão ser profissionais.
A principal fonte de receita é o patrocínio do Governo de Alagoas, renovado anualmente, com apoio da CBF. O envolvendo privado ainda é insuficiente, e Bruno comenta a dificuldade de captação de patrocínio em Maceió para o futebol feminino.
A Série A2 como desafio
A volta à Série A2 ocorreu após a desistência de outras equipes, incluindo Avaí/Kindermann. A UDA encarou o cenário com cautela, priorizando a permanência no campeonato. O time está em processo de reorganização com uma mescla de juventude e experiência.
O elenco, com média de idade em torno de 24 anos, ganhou cinco atletas da Copinha, além de jogadoras do Sub-20 e veteranas. Os treinos são realizados entre a Universidade Federal de Alagoas e arenas municipais, com jogos no Estádio Rei Pelé, em Maceió.
Olhar para o futuro
A meta de curto prazo é manter a presença na Série A2. A longo prazo, o clube busca consolidar as categorias de base e competir de igual para igual com clubes tradicionais do futebol feminino. A diretoria quer elevar o nível técnico e ampliar a competitividade no estado de Alagoas, mantendo o protagonismo nacional.
Entre na conversa da comunidade