- As vagas para os 50 m estilos em Los Angeles 2028 serão definidas pela Copa do Mundo de 2027, com três etapas (peito, costas e borboleta) e os seis melhores de cada prova garantem vaga direta.
- Haverá vagas olímpicas adicionais, mas para disputá-las é preciso também se classificar em outra disciplina individual ou em revezamento, além de atingir o índice dos 50 m estilos.
- O nadador Nicholas Santos criticou o formato, dizendo que ele não segue o padrão das outras provas e pode prejudicar a renovação de atletas, privilegiando apenas quem competiu bem no conjunto da Copa do Mundo.
- Ele também apontou que o novo modelo pode favorecer velhos velocistas que não têm outra “carta na manga” para somar à seletiva, além de indicar disputa com a World Aquatics.
- No Brasil, o início do ciclo olímpico para Los Angeles 2028 foi negativo, com desempenho fraco no Mundial de Esportes Aquáticos de 2025, destacando a necessidade de renovação e de estruturas para a base.
A discussão sobre o formato de classificação para as provas de 50m estilos nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 ganhou contornos de polêmica após a divulgação dos critérios pela Federação Internacional de Natação (World Aquatics) e pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). A novidade ficou clara: as vagas serão definidas a partir da Copa do Mundo de 2027, em três etapas distintas para cada disciplina (peito, costas e borboleta), com apenas os seis melhores de cada prova assegurando passagem direta a LA 2028. A edição olímpica única ainda prevê vagas adicionais, sujeitas à classificação em outras disciplinas ou revezamentos, além do índice específico para os 50m.
Nicholas Santos, referência da natação brasileira, criticou o modelo no podcast do Lance. Para ele, o formato cria uma barreira antecipada e não prioriza a melhor performance por país, mas os seis melhores do mundo, o que pode favorecer atletas com maior atuação internacional em uma única prova. O nadador de 45 anos destacou ainda que a mudança pode desincentivar velocistas que não atuam em várias provas, além de gerar tensões entre a World Aquatics e a comunidade da natação.
O anúncio estimulou a volta de velocistas ao cenário competitivo, com exemplos de destaque internacional. Cameron Van Der Burgh, campeão olímpico em Londres 2012, informou que voltará à competição quase sete anos após a aposentadoria. No Brasil, Etiene Medeiros publicou retorno aos treinamentos com foco no ciclo olímpico, lembrando a conquista mundial nos 50m costas em 2017.
Nicholas Santos, que permanece ativo em provas master e como empreendedor, não descartou a possibilidade de retorno a tempo integral, desde que haja tempo suficiente para treinar em alto nível. Ele avaliou que, com 22,60 segundos como melhor marca pessoal na prova, poderia terminar entre segundo e terceiro lugar aos 45 anos, mas enfatizou não haver necessidade de provar nada a ninguém.
Para o ciclo rumo a LA 2028, o Brasil encara um começo difícil. Em 2025, a delegação não conquistou medalhas no Mundial de Esportes Aquáticos em Singapura e teve apenas duas finais, ambas de Guilherme Caribé. Santos apontou a renovação geracional como o principal desafio, além da falta de estruturas públicas de natação para ampliar a prática e formar novos atletas, destacando a remuneração relativamente baixa na modalidade em comparação com outras.
A visão do nadador é de que a formação de base precisa de investimento robusto para ampliar a participação nacional e sustentar o alto rendimento em competições internacionais. A ausência de renovação e de incentivos estruturais, segundo ele, dificulta o alcance de resultados consistentes no ciclo olímpico.
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