- Em Kakamega, nações ocidentais, a igreja Grace Calvary Christian Baptist Church tem fila de fiéis pela manhã de domingo, mas metade dos bancos fica vazia e pouca gente jovem comparece.
- As lutas de touros, tradição local há décadas, passaram a ocorrer aos domingos, atraindo jovens que viram no evento uma forma de socialização e entretenimento.
- Hogares e comerciantes locais ajudam com comida e presentes, e alguns proprietários de touros pagam cachês ou gastam com brindes aos espectadores.
- Pastores e líderes religiosos alertam que os domingos não devem virar dia de lutas; além de ferir a participação na igreja, há riscos de ferimentos e comportamentos inadequados entre os jovens.
- O pastor Jackson Sikolia trabalha com jovens em projetos de geração de renda, como fornos solares e briquetes, na tentativa de reconduzi-los à igreja e reduzir o interesse pelas lutas.
Na região Ocidental do Quênia, uma igreja enfrenta o desafio de manter os jovens na origem de sua comunidade. Em Grace Calvary Christian Baptist Church, no condado de Kakamega, o culto dominical convive com o retorno das lutas de boi, um costume local em retomada.
Na manhã de domingo, o ambiente é de tranquilidade na igreja, com cadeiras simples e toalhas brancas sobre as mesas do altar. O pastor Jackson Sikolia ajusta os preparativos do sermão enquanto os fiéis vão chegando, muitos sem a presença de jovens no coro ou na escola dominical.
Mudança de ritmo dominical
Do lado de fora, os jovens ocupam as ruas, acionando vuvuzelas e buzinas para acompanhar o boi campeão que parte para o confronto, a poucos quilômetros da igreja. Muitos sobem em motocicletas lotadas, levando ramos para demonstrar empolgação.
Os combates começam cedo, com lutas preliminares que antecedem o duelo principal entre bois campeões. As disputas duram poucos minutos, com os animais em um espaço aberto cercado por torcedores que incentivam com bastões. O desfecho ocorre quando um animal deixa o círculo ou recua.
As lutas, antes realizadas principalmente aos sábados, passaram a ocorrer aos domingos, o que tem reduzido a frequência dos jovens na igreja local. Em comunidades como Grace Calvary, isso resulta em menos assentos ocupados, impactando a participação da juventude.
Falta de engajamento e motivações
Histórias locais apontam desemprego elevado e a necessidade de socialização como fatores para a popularidade das lutas. Eventos atraem milhares de espectadores, com fãs chegando de várias regiões para acompanhar os combates.
Alguns jovens contam que, ao acompanhar as lutas, recebem refeições e, em alguns casos, presentes em dinheiro dos proprietários dos bois, estratégia que aproxima famílias afetadas pela crise econômica. A prática também envolve apostas esportivas.
Políticos locais, a administração do condado e uma universidade promovem eventos de lutas como forma de entretenimento. Especialistas destacam a busca por entreter a juventude como um dos impulsos à popularidade do esporte tradicional.
Esforços de enfrentamento
O pastor Sikolia tem procurado soluções além da simples calendarização: ele iniciou um projeto de capacitação para jovens, ensinando a fabricar fornos eficientes e briquetes para venda. Atualmente, envolve 20 jovens, com objetivo de ampliar a participação na igreja.
Alguns jovens, como o morador de Shibembe, relatam que as lutas substituíram parte da frequência aos serviços religiosos, especialmente quando coincidem com horários de cultos. Há quem tente conciliar as duas atividades, tentando chegar aos serviços religiosos subsequentes.
O líder religioso reconhece a necessidade de transformar o talento dos jovens em oportunidades reais. Ele ressalta que o foco deve estar na preparação para empregos e liderança comunitária, mantendo a igreja como eixo de apoio espiritual.
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