- Em 2025, 34% dos entrevistados consideram que ter um diploma geralmente não vale o tempo e o dinheiro, frente a 14% em 2005.
- Quem acredita que a universidade deixa o formando muito melhor financeiramente caiu de 50% para 36%.
- A participação de estudantes em cursos superiores no Reino Unido atingiu 36% dos concluintes escolares, com mais de 2 milhões de alunos nacionais matriculados em 2025.
- As mensalidades universitárias subiram, chegando a até £ 9.535 por ano, além dos custos de vida, desde a implementação em 1998.
- Em três anos, a partir de 2027, os tetos de pagamento de empréstimos estudantis ficarão congelados, sem reajuste automático conforme a inflação.
Dois em cada três brasileiros que acompanharam a notícia podem não entender exatamente o que mudou no ensino superior no Reino Unido. Em 2025, a confiança na nota de valor de uma graduação operou uma queda acentuada, com 34% dos entrevistados afirmando que o diploma não costuma valer o tempo e o dinheiro investidos. Em 2005, esse índice era de 14%.
O recuo acompanha um conjunto de fatores: inflação, custo das mensalidades e dúvidas sobre o impacto da IA no mercado de trabalho para graduados. Além disso, a parcela de pessoas que acredita que quem vai à universidade ficará bem menos bem remunerado que quem não vai caiu de 50% para 36%.
A transformação da educação superior britânica é histórica. Em 1983, apenas cerca de 6% dos concluintes iam para a universidade; em 2025, esse share subiu para 36%, com mais de 2 milhões de estudantes domésticos matriculados. Essa expansão coincide com o crescimento dos custos estudantis e com mudanças no financiamento.
Despesas e financiamento estudantil
As mensalidades na Inglaterra podem chegar a £9.535 por ano, além de custos de vida. Quando as taxas começaram, em 1998, eram £1.000 anuais. As mudanças no sistema contribuíram para o descontentamento entre graduados que já enfrentam dívidas.
Os limiares de pagamento dos empréstimos estudantis foram congelados repetidamente, em vez de serem ajustados pela inflação, o que alimenta críticas sobre o peso da dívida. A previsão é manter esses limites congelados por três anos a partir de 2027.
Percepção de carreira e opinião de especialistas
Especialistas ressaltam que o mercado de trabalho continua desafiador para todos, não apenas para graduados. Ainda assim, dados indicam que, em geral, quem tem diploma tende a encontrar emprego, ganhar mais e ter melhor saúde. A educação superior é vista como motor de mobilidade social e de crescimento econômico.
Por outro lado, cresce a percepção de que os prêmios de retornos educacionais não são tão robustos quanto o esperado anteriormente, devido ao baixo crescimento econômico recente. Pesquisadores destacam que o valor de longo prazo da graduação ainda é superior para a maioria, embora a magnitude dos ganhos varie.
Opiniões de estudantes e debate sobre IA
Entre os próprios alunos e ex-alunos, persiste a preocupação com o peso da dívida e com a possível substituição de empregos por sistemas de IA. Mesmo com o endividamento, muitos ressaltam que a experiência universitária vai além do diploma e envolve desenvolvimento pessoal e profissional.
Coautores do estudo ressaltam que a universidade continua sendo um veículo de mobilidade social e de impulso econômico, mesmo diante de pressão financeira. Se a confiança pública seguir em queda, isso pode agravar a situação financeira do setor.
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