- Família de dois estudiosos condenados à pena de morte pediu à Universidade de Cambridge que rejeite planos de treinar a defesa da Arábia Saudita.
- A Judge Business School foi autorizada a oferecer cursos de liderança e gestão de inovação para o ministério da defesa saudita, segundo o Guardian.
- Os filhos Abobaker Almalki e Abdullah al-Odah assinam carta aos chanceler Chris Smith e à reitora Deborah Prentice, alertando sobre a legitimidade da narrativa de reforma de Mohammed bin Salman.
- Autoridades sauditas teriam executado pelo menos 356 pessoas no ano passado, o maior número na história recente do país.
- Documentos mostram que a universidade já havia recebido permissão para firmar um memorando de entendimento com o ministério da defesa, embora a instituição tenha afirmado que não assinou esse acordo.
Sons de dois estudiosos sauditas sob pena de morte pediram à Universidade de Cambridge que abandone a proposta de treinar funcionários do Ministério da Defesa da Arábia Saudita. A solicitação ocorre após a revelação de que a Cambridge Judge Business School havia sido autorizada a oferecer cursos de liderança e gestão de inovação para a defesa saudita, gerando resistência interna na instituição.
Os filhos Abobaker Almalki e Abdullah al-Odah assinam a carta dirigida ao chanceler Chris Smith e à reitora Deborah Prentice, defendendo que a parceria pode legitimar narrativas de reformismo de Mohammed bin Salman, apesar de evidências de abusos de direitos humanos. No ano passado, autoridades sauditas executaram pelo menos 356 pessoas, segundo organizações internacionais.
Hassan Farhan al-Maliki e Salman al-Odah, ambos presos desde 2017, enfrentam acusações consideradas vagas pelas organizações de direitos humanos, entre elas a posse de livros proibidos e críticas a o governo. O Ministério Público saudita é citado como solicitante da pena de morte, de acordo com a documentação analisada por grupos de defesa.
Estudiosos de Cambridge expressaram repulsa à proposta, afirmando que universidades devem defender a liberdade acadêmica. Organizações de direitos humanos destacam que acordos com autoridades repressivas podem corroer os pilares de debates livres dentro do ensino superior.
Segundo documentos vistos pelo Guardian, houve autorização do comitê de beneficiação da universidade para firmar um memorando de entendimento com o Ministério da Defesa da Arábia Saudita, ocasião em que Deborah Prentice já era presidente desse comitê. A instituição não confirmou o acordo, citando uma declaração anterior da escola de negócios.
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