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71,7% dos gestores enfrentam o desafio da violência nas escolas

Gestores relatam dificuldade de dialogar sobre violência nas escolas, apontando clima escolar desafiado e necessidade de ações estruturadas

Niterói (RJ), 03/06/2025 - Centro Integrado de Educação Pública (CIEP) 449 Governador Leonel Moura Brizola – Intercultural Brasil-França. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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  • Sete em cada dez gestores (71,7%) relatam dificuldade em dialogar sobre enfrentamento à violência na escola, incluindo bullying, racismo e capacitismo.
  • A pesquisa envolve 136 gestores de 105 escolas públicas (59 municipais e 46 estaduais) e foi divulgada em 6 de maio pela Fundação Carlos Chagas em parceria com o MEC.
  • O objetivo é fundamentar o Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras, que será lançado em 7 de maio pelo canal do MEC.
  • Além disso, foram identificados desafios como aproximação entre escola, famílias e comunidade (67,9%), relacionamentos entre estudantes (64,1%) e pertencimento (60,3%).
  • Mais da metade das escolas (54,8%) nunca fizeram diagnóstico estruturado do clima escolar; 67,6% contam com equipe de melhoria, enquanto 32,4% não têm, ficando a gestão responsável.

O desafio de enfrentar a violência dentro das escolas permanece alto entre gestores públicos. Segundo estudo da Fundação Carlos Chagas (FCC) em parceria com o Ministério da Educação (MEC), 71,7% dos diretores relatam dificuldades para dialogar sobre temas como bullying, racismo e capacitismo no ambiente escolar. A pesquisa envolveu 136 gestores de 105 escolas, sendo 59 municipais e 46 estaduais.

O levantamento, divulgado na quarta-feira (6), serve de base para o Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras, produzido pela esfera federal e com lançamento previsto para quinta (7) pelo canal do MEC no YouTube. O objetivo é fundamentar políticas de convivência e aprendizagem.

Adriano Moro, pesquisador da FCC, aponta que lidar com situações de violência é complexo e demanda preparo, apoio e ações bem definidas. Um dos entraves marcados é a naturalização da violência, com relatos de que agressões são tratadas como brincadeiras por parte de adultos da escola, o que pode levar à omissão.

A dificuldade de envolver famílias e a comunidade também aparece, aumentando a pressão sobre as escolas para atuarem sozinhas. Moro ressalta ainda que o termo bullying, quando usado de forma genérica, pode ocultar manifestações específicas de racismo, capacitismo, xenofobia ou violência de gênero.

Na prática, a relação entre clima escolar positivo e desempenho pedagógico é considerada muito forte pela pesquisa. Um ambiente que reúne confiança, respeito e escuta facilita a identificação de problemas, a nomeação correta das violências e uma atuação mais responsável.

A pesquisa aponta outros dados relevantes sobre o gerenciamento do clima entre alunos, profissionais e famílias. Entre os participantes, 67,9% enfrentam desafios na aproximação entre escola, famílias e comunidade; 64,1% veem entraves na construção de bons relacionamentos entre estudantes; 60,3% relatam dificuldades para promover pertencimento e para a relação entre estudantes e professores; 49% indicam obstáculos à sensação de segurança.

Mais da metade das escolas (54,8%) não realizou diagnóstico estruturado do clima escolar, considerado essencial para orientar políticas de convivência. Em 67,6% das unidades, há equipe dedicada a ações de melhoria do clima; nas 32,4% que não contam com essa equipe, a gestão assume a responsabilidade.

Moro aponta que a sobrecarga dos profissionais é comum, com gestores lidando simultaneamente com várias urgências, o que pode levar a ações mais reativas do que preventivas.

No campo da relação entre clima e aprendizagem, o pesquisador classifica o vínculo como extremamente relevante. O bem-estar e a oportunidade de aprender dependem de um ambiente em que os estudantes se sintam acolhidos e respeitados, sem medo de errar.

A pesquisa foi realizada com escolas de dez estados: Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Sergipe e São Paulo, entre março e julho de 2025. O estudo coordena, ainda, a criação de um programa institucional para combater bullying e preconceito.

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