- A professora Aria Fani, da Jackson School of International Studies da Universidade de Washington, foi destituída do cargo de diretora do Middle East Center; permanece como professora, em licença médica.
- O cargo de direção passa a ser assumido, pelos próximos meses, pelo diretor interino do centro, Daniel Hoffman.
- A decisão ocorreu após Fani ter utilizado a newsletter do centro para criticar a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, e classificar o sionismo como “cancerous”.
- Em relatório separado, casos de docentes que enfrentaram suspensão ou demissão por críticas à política dos EUA e de Israel no Oriente Médio foram registrados recentemente em outras instituições americanas.
- Organizações acadêmicas e entidades ligadas à defesa da liberdade de expressão passaram a acompanhar esses desfechos, diante de alegações de censura em universidades.
Uma professora associada da University of Washington foi destituída do cargo de diretora do Middle East Center, após supostamente usar newsletters da instituição para criticar a guerra entre EUA e Israel contra o Irã e classificar o sionismo como “canceroso”. A decisão também envolve questionamentos sobre restrições a falas políticas no meio acadêmico.
Aria Fani, da Jackson School of International Studies, ainda atua como professora, mas está em licença médica neste trimestre. O diretor do centro, Daniel Hoffman, informou a demissão dele do cargo de liderança na semana passada, segundo o Seattle Times.
Em 18 de março, segundo relatos, Fani escreveu em uma newsletter enviada pela lista de discussão do centro que “as ações de Israel demonstram a busca pela destruição do Estado, não apenas da sua estrutura dirigente”. A publicação também contestava a narrativa de que o Irã busca armas nucleares.
A universidade confirmou a troca de liderança e informou que Hoffman assumirá as responsabilidades administrativas por meses. Em nota, o UW disse que Fani continua como professora associada e não discutirá circunstâncias individuais de contratação por motivos de privacidade.
Outras ocorrências em universidades
Casos de suspensão ou demissão envolvendo docentes que se opõem às ações dos EUA e de Israel no Oriente Médio também aparecem em outros ambientes acadêmicos. Em Texas, o professor Idris Robinson moveu ação contra a universidade estadual, após o término de contrato após palestra fora do campus sobre o conflito israelo-palestino.
Na Universidade da Arkansas em Fayetteville, Shirin Saeidi, ex-chefe do Center for Middle East Studies, foi formalmente demitida após supostamente manifestar apoio ao regime iraniano e proferir críticas a Israel. Relatos indicam que Saeidi já havia recebido aviso em julho sobre uso de papel timbrado da instituição para defender a libertação de Hamid Nouri.
A Middle East Studies Association (Mesa) publicou carta em defesa de Saeidi, pedindo reintegração e condenando campanhas de difamação. A demissão ocorre em um contexto de acentuação de acusações de censura nas universidades americanas desde outubro de 2023.
Contexto e impactos
A onda de alegações de censura cresce conforme cortes em programas acadêmicos e pressões administrativas se intensificam, com relatos de universidades buscando restringir falas consideradas pró-palestinas. Organizações de defesa observam aumento expressivo de pedidos de apoio legal por docentes.
Segundo levantamentos, estudantes e docentes árabes e muçulmanos têm sido desproporcionalmente afetados por políticas de contenção de discurso. Relatos de organizações voltadas à defesa de direitos acadêmicos indicam tendência de represálias ligadas a críticas a políticas de Israel.
Perspectivas institucionais
As instituições ressaltam que decisões de emprego são baseadas em requisitos do cargo e nas expectativas da universidade. Não há detalhes divulgados sobre casos específicos por questões de privacidade. A UW reforça que a situação envolve apenas o âmbito interno da instituição.
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