- Sabriiny Fogaça Lopes, 41 anos, mulher trans, foi aprovada no Exame Nacional do Ensino Médio para a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) 25 anos depois de abandonar a escola aos 15, por discriminação e agressões.
- Ao longo dos anos fora da escola, ela encontrou dificuldades no mercado de trabalho e encontrou motivação para retornar por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
- Ela voltou a estudar no Colégio Estadual Barão de Tefé, em Seropédica, e acabou participando de projetos em sala de aula; fez o Enem duas vezes e foi aprovada em ambas as tentativas.
- O primeiro curso escolhido foi Licenciatura em Educação do Campo; em 2026, pretende ingressar em Licenciatura em Educação Especial, curso de sua escolha, na mesma universidade.
- Sabriiny foi eleita Diretora de Diversidade do Diretório Acadêmico do curso de Educação Especial e pretende seguir estudando Serviço Social no futuro; a reportagem também destaca dados sobre a EJA e o acesso de pessoas trans ao ensino superior.
Sabriiny Fogaça Lopes, 41 anos, é uma mulher trans que foi aprovada no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para ingressar na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), 25 anos após abandonar a escola. A história mostra o caminho diferente que a educação formal pode tomar para cada pessoa.
Ela deixou a escola aos 15 anos por conta de discriminação e repressões vividas no ambiente escolar, incluindo agressões físicas em alguns momentos. Hoje, após retornar aos estudos por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA), Sabriiny se reencontra com o desejo de aprender e transformar a própria trajetória.
A nova etapa começou no Colégio Estadual Barão de Tefé, em Seropédica, RJ, onde acreditou ser possível retomar os estudos. O ambiente escolar revelou-se acolhedor, ajudando a superar receios de aceitação e possibilitando participação em projetos como o Alunos Autores, realizado com a Seeduc RJ.
Sabriiny prestou o Enem duas vezes e foi aprovada em ambas: a primeira para Licenciatura em Educação do Campo, a segunda para Licenciatura em Educação Especial, com previsão de início em 2026. Ela também foi eleita Diretora de Diversidade do Diretório Acadêmico do curso.
A futura estudante pretende voltar à universidade para estudar Serviço Social e atuar na educação especial, buscando ampliar o acesso à educação para pessoas com diferenças. Em sua visão, a educação é essencial para todos, independentemente de identidade ou trajetória.
EJA no Brasil
Atualmente, cerca de 2,4 milhões de estudantes estão na EJA, segundo o Censo Escolar 2024, com 2,2 milhões na rede pública. Em termos de ensino superior, a taxa de aprovação entre concluintes da EJA é de aproximadamente 9%, bem abaixo dos 30% observados entre alunos do ensino regular, segundo o Censo da Educação Superior 2023.
A EJA atende jovens, adultos e idosos que não concluíram os estudos. Hoje, 38 universidades públicas em todo o país oferecem cotas para pessoas trans, distribuídas entre as regiões Sudeste, Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte, reforçando medidas de permanência e acolhimento nesse segmento.
Essa trajetória de Sabriiny evidencia o impacto de políticas de inclusão e o desafio contínuo de consolidar trajetórias educacionais estáveis para pessoas trans no Brasil.
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