- No Dia da Escola, debate sobre uso da inteligência artificial em sala de aula ganha destaque com votação prevista para 16 de março no Conselho Nacional de Educação.
- O parecer, resultado de um ano e meio de debates entre o Ministério da Educação, Unesco e especialistas, poderá ir a consulta pública, plenário e homologação do ministro da Educação.
- O documento estabelece que a IA deve atuar apenas como suporte pedagógico, com supervisão de profissionais da educação, proibindo atuação pedagógica totalmente automatizada.
- A proposta prevê incorporação transversal da IA no currículo, desde a educação básica até o ensino superior, com foco na formação de professores para lidar com ética, dados educacionais e mediação tecnológica.
- A pesquisadora Cláudia Costin destaca riscos e oportunidades: a IA não deve substituir o professor, e é essencial valorizar competências socioemocionais, pensamento crítico e colaboração, além de uso responsável e ético da tecnologia.
O Dia da Escola ganha destaque com o foco no uso da IA em sala de aula. A comissão do Conselho Nacional de Educação marcou para segunda-feira, dia 16, a votação do parecer sobre regras para IA na educação básica e no ensino superior. O tema surge após um ano e meio de debates envolvendo o MEC, a Unesco e especialistas.
O parecer estabelece que a IA deve atuar apenas como suporte educativo, sob supervisão de profissionais da educação. A atuação pedagógica não pode ser automatizada, e a avaliação continuará sob responsabilidade do professor. A correção de provas objetivas pode ser assistida pela IA, mas as notas finais permanecem com o docente; avaliações dissertativas não devem ser corrigidas por ferramentas automatizadas.
A proposta prevê integração transversal da IA, desde a educação básica até o ensino superior, com foco na formação de docentes. O objetivo é preparar professores para lidar com ética, dados educacionais e mediação tecnológica em ambientes híbridos.
Supervisão humana e limites da IA no ambiente escolar
Para a especialista em educação Claudia Costin, o uso da IA cria um equilíbrio entre oportunidades e riscos. O principal cuidado é evitar que a máquina substitua o papel humano no ensino, mantendo o foco na resolução colaborativa de problemas, criatividade, pensamento crítico e compreensão sistêmica.
A visão é de uma escola que priorize valores, atitudes e protagonismo juvenil, alinhada à Base Nacional Comum Curricular. A ênfase está em competências socioemocionais que as máquinas não possuem, como empatia, persistência e resiliência, estimulando a escrita com perguntas abertas.
Integração curricular e o papel da docência
A IA deve compor o currículo de forma integrada, com destaque para a formação de docentes. Os futuros profissionais serão preparados para lidar com fundamentos éticos, análise de dados educacionais e mediação tecnológica, assegurando que a tecnologia seja parte do processo de ensino e aprendizagem.
A IA oferece oportunidades como apoio ao trabalho docente, incluindo planejamento, avaliação e personalização do ensino. Pesquisas indicam que mais da metade dos professores de educação básica já utilizam IA de alguma forma, com potencial de ampliar a qualidade do ensino com formação adequada.
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