- Escolas na Inglaterra estão reduzindo a ideia de fantasias para o World Book Day, citando custos para famílias e o risco de atrapalhar a leitura por prazer.
- Jonathan Douglas, da National Literacy Trust, disse que muitas escolas são sensíveis a gastos de famílias carentes e estão retirando o foco da fantasia na data.
- A sessão do comitê de educação da Câmara ouviu que o World Book Day, celebrado na quinta-feira no Reino Unido e na Irlanda, pode favorecer famílias com mais recursos para conseguir fantasias.
- Annie Crombie, da BookTrust, disse que há alternativas como trocas de fantasias ou itens feitos em aula, mas manteve a importância de manter a data como estímulo à leitura.
- MPs ouviram relatos sobre queda no gosto pela leitura entre jovens; Onyinye Iwu afirmou que redes sociais e entretenimento disputam a leitura, ressaltando a necessidade de mudança de hábitos em famílias e escolas.
Os habitantes da Inglaterra estão revendo a tradição de crianças se vestirem como personagens literários no World Book Day, diante de preocupações com custos e com o impacto desses disfraces na promoção da leitura por prazer. Especialistas em alfabetização informaram aos MPs que o gasto com fantasias pode penalizar famílias em situação de vulnerabilidade, levando escolas a reduzir ou eliminar a prática.
Jonathan Douglas, diretor-executivo da National Literacy Trust, afirmou aos membros do comitê de educação da Câmara que muitas escolas reconhecem o peso financeiro e estão reavaliando a ênfase na vestimenta durante o evento. A ideia central é manter o foco na leitura, especialmente entre os 15 anos, quando a leitura por prazer é associada a maior sucesso educacional independentemente da origem socioeconômica.
Helen Hayes, presidente do comitê, destacou o valor cívico do World Book Day, mas observou que a prática pode favorecer famílias com mais recursos para comprar ou criar fantasias. Anualmente, o evento ocorre na penúltima quinta-feira de março na Irlanda e no Reino Unido, envolvendo milhares de escolas.
Ações e alternativas
Annie Crombie, co-CEO da BookTrust, sugeriu medidas para contornar o problema, como a realização de trocas de fantasias ou atividades de artes que substituam a necessidade de roupas compradas. A organização enfatizou que a participação deve ser inclusiva, sem custos, para não agravar tensões com a vida doméstica.
A World Book Day Charity reiterou a intenção de manter a participação ampla e o incentivo à leitura por prazer, apresentando sugestões de formatos sem custo para escolas e famílias. O objetivo é evitar que questões econômicas impeçam o engajamento com a leitura.
Contexto e depoimentos
A sessão ocorreu após a National Literacy Trust apontar queda no interesse de jovens pela leitura, o que acende debates sobre políticas de incentivo à leitura. Onyinye Iwu, professora e autora infantil, disse que muitos alunos relatam pouca prática de leitura por prazer na transição para o ensino médio, com foco excessivo em conteúdos escolares.
Iwu citou fatores culturais que influenciam o hábito de ler, incluindo a pressão por resultados acadêmicos e a concorrência de plataformas como TikTok e serviços de streaming. Ela argumentou que mudanças precisam ocorrer também em famílias e escolas para incentivar o gosto pela leitura.
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