- A guerra deixou milhões de crianças com a educação abalada: cerca de 3,5 milhões estudam na Ucrânia e 1,6 milhão em áreas ocupadas, com quase 1 milhão na União Europeia, todos lidando com interrupções e isolamento.
- Em Pechenihy, a escola foi atingida, ganhou um abrigo subterrâneo para socialização após as aulas, e, em março de 2025, drones russos cortaram energia e alagaram parte das instalações, tornando as salas frias e sem uso; o reparo pode custar pelo menos 1 milhão de dólares.
- Com cortes de energia e ataques, muitas crianças seguem uma grade online pouco estável, enquanto redes de educação clandestinas tentam manter o ensino de língua e história ucranianas para quem vive sob ocupação.
- Existem grandes desigualdades: crianças em territórios ocupados têm acesso a um currículo russo, enquanto as do território controlado pela Ucrânia avançam com educação presencial; comunidades pobres ou ameaçadas continuam lutando para manter a escolaridade.
- A perda educacional tem impacto de longo prazo, potencialmente afetando o PIB do país; a evacuação de comunidades fronteiriças pode trazer consequências econômicas, e o apoio estatal é visto como insuficiente frente à complexidade da crise.
Pechenihy, na Ucrânia, é um vilarejo com casas destruídas pela guerra e edifícios simples da era soviética. No início do conflito, forças russas ocuparam áreas do outro lado do rio. Meio da população fugiu e quem ficou viveu sob bombardeios por mais de seis meses.
Oksana Drozdova, moradora, deixou a casa com dois filhos em 2022, indo para Schmallenberg, na Alemanha. Ela buscou manter os vínculos com a Ucrânia, organizando estudo intenso para o filho mais velho, em alemão, com tarefas de língua e história ucranianas à noite.
Retorno e transformação escolar
Em 2023, as expectativas surgiram quando a ofensiva ucraniana retomou terreno próximo a Pechenihy e a escola local reabriu um abrigo subterrâneo para estudantes socializarem após as aulas on-line. Em agosto daquele ano, a família retornou à vila e Drozdova passou a lecionar na escola, lecionando ucraniano, inglês e matemática. Em 2025, a reforma do espaço subterrâneo autorizou aulas presenciais diárias.
A pandemia de mudanças na educação não cessou. Ainda assim, cortes de energia poupados limitam chamadas de vídeo, levando estudantes a um regime assíncrono. No fim de 2025, a comunidade vivia com frequentes interrupções e o cenário era de incerteza sobre o futuro escolar.
Golpe e custos da reconstrução
Em março de 2025, três drones russos atingiram a escola reformada durante a noite. Sem pessoas no local, o ataque rompeu linhas de energia e inundou parte das instalações, deixando as salas frias e sem uso. A estimativa de reparo é de no mínimo 1 milhão de dólares, valor incompatível com o orçamento da vila.
Em Pechenihy, as crianças passaram a depender de currículos online esparsos. A baixa de energia comprometeu as videochamadas, levando muitas atividades a serem feitas de forma assíncrona. Mesmo com a escola reativada, o acesso presencial continua limitado.
Contexto e desigualdades educacionais
A situação se estende para além da vila. Em áreas ocupadas, muitos alunos são obrigados a frequentar escolas russófonas que promovem conteúdo de propaganda e treinamento militar para crianças. Existem redes secretas que promovem aulas online de língua e história ucranianas, muitas vezes em condições de risco para alunos, famílias e professores.
Entre os que permanecem, o compromisso com a educação persiste. Organizações da sociedade civil atuam para manter a escolarização, com apoio de financiamentos internacionais, como EUA, para projetos de infraestrutura educativa. A continuidade desses esforços é vista como fundamental para a estabilidade regional e o desenvolvimento econômico futuro.
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