- Encontro em Brasília (23–24) discute a criação de uma rede latino-americana permanente pela alfabetização na idade adequada, aos 7 anos, com cooperação entre países.
- Modelo brasileiro: Compromisso Nacional Criança Alfabetizada mira alfabetizar até o fim do 2º ano do ensino fundamental; em 2024, 59,2% dos alunos concluíram essa etapa, próxima da meta de 60%. Meta para 2030 é alcançar 80% dos alunos nessa fase.
- Desafios apontados incluem infraestrutura escolar, falta de bibliotecas, necessidade de mais creches e formação contínua de alfabetizadores.
- Experiências regionais citadas: Argentina (Plano da Jurisdição da Alfabetização no Chaco), México (Nova Escola Mexicana com foco em língua materna indígena), Peru (avaliações censitárias e políticas de saúde e ambiente seguro), além de contribuições do Uruguai e outros países.
- Agro digital: enfatiza-se a alfabetização digital como complemento essencial à alfabetização tradicional, com educação contínua ao longo da vida e participação da comunidade escolar.
O Encontro Internacional Alfabetização, Equidade e Futuro, realizado em Brasília nos dias 23 e 24, reúne lideranças governamentais da América Latina, representantes da sociedade civil e especialistas para discutir a criação de uma rede permanente pela alfabetização na idade devida, aos 7 anos. O objetivo é promover cooperação técnica entre os países da região.
O evento destaca a alfabetização como ferramenta central do desenvolvimento social e econômico, além de servir como um instrumento de redução de desigualdades. Participantes defendem que avanços regionais possam destravar melhorias significativas na trajetória escolar e no capital humano.
Modelo brasileiro e metas públicas
O ministro interino da Educação apresentou o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), que envolve União, estados e municípios para alfabetizar as crianças até o fim do 2º ano do ensino fundamental. Em 2024, 59,2% dos alunos nessa etapa atingiram a alfabetização, quase na meta de 60%. A meta para 2030 é chegar a 80%.
O Secretário-Executivo da pasta ressaltou que o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) permite mapear desigualdades regionais, étnicas e por redes de ensino, fornecendo dados para orientar políticas de alfabetização. O mapeamento busca identificar escolas, municípios e regiões com maiores deficiências.
Desafios de infraestrutura e formação docente
Entre os principais entraves citados estão a falta de bibliotecas em escolas e a necessidade de mais creches. O ministro ressaltou a urgência de oferecer formação contínua a professores alfabetizadores para melhorar o desempenho escolar ao longo do tempo, além de ampliar a qualidade do aprendizado.
A alfabetização na idade certa é apresentada como instrumento de superação de desigualdades e fortalecimento democrático, com impactos esperados na participação social, econômica e política das futuras gerações.
Experiências regionais destacadas
Lideranças latino-americanas apresentaram iniciativas locais voltadas à alfabetização nessa faixa etária. A Argentina destacou o Plano da Jurisdição da Alfabetização, que enfatiza o fornecimento de livros por aluno e materiais escolares para melhorar a educação de milhares de crianças no Chaco. No México, a Nova Escola Mexicana enfatiza a valorização da diversidade linguística indígena junto ao espanhol, com materiais adaptados para diversas línguas. O Peru citou avaliações censitárias e foco em saúde e violência escolar como pilares. O Uruguai enfatizou a universalização educacional como compromisso histórico, apesar de limitações orçamentárias.
Programas e perspectivas futuras
Também houve destaque para a necessidade de políticas de Estado estáveis na educação, diante de mudanças frequentes de gestão ministerial em alguns países. O objetivo estende-se a fortalecer práticas pedagógicas, ampliar o acesso a recursos de alfabetização e promover uma abordagem integrada entre alfabetização tradicional e digital.
Movimento continental e continuidade
O encontro reforça a expectativa de estruturar uma rede continental de cooperação pela alfabetização na idade certa, com base em práticas já bem-sucedidas na região. A sessão final deve consolidar propostas para implementação regional nos próximos anos, mantendo o foco na qualidade educacional, equidade e desenvolvimento sustentável.
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