- Na Grã-Bretanha, apenas oitenta escolas oferecem o A‑level de história da arte, com 838 alunos no exame na edição mais recente.
- Em vinte anos houve queda de interesse: há duas décadas havia cerca de mil alunos; quarenta anos atrás, cerca de quatro mil. A maioria das escolas que ensinam a disciplina é de ensino privado.
- O número de matriculados em cursos de graduação é estável em torno de 1,2 mil por ano, mas ainda assim caiu quase trinta por cento na década de 2010.
- As causas apontadas incluem custos elevados, reformulações curriculares favorecendo ciência, tecnologia, engenharia e matemática e tentativas políticas de reduzir ou eliminar o A‑level.
- A crítica central é que a história da arte vem sendo ensinada como ferramenta instrumental (literacia visual) ou como instrumento moral, quando o foco deveria ser que a disciplina, por si, merece ser estudada. O texto sugere modelo francês, mais baseado em objetos, arquivos e método, como referência.
A história da arte enfrenta um declínio constante no Reino Unido, segundo levantamento da Association for Art History. O tema aparece como área de estudo em queda nas escolas, com sinalizações de que o interesse também não acompanha em nível universitário. O panorama atual levanta questões sobre como apresentar a disciplina de forma relevante.
A pesquisa aponta que apenas 80 escolas oferecem o A-level em história da arte, redução em relação a 122 há uma década. No ano passado, apenas 838 alunos realizaram o exame, demonstrando queda expressiva frente a décadas anteriores. Ao olhar para horizontes mais amplos, a associação destaca ganhos recentes apenas quando comparados a 2019, mas o quadro histórico mostra queda acentuada ao longo de 20 e 40 anos.
A redução de interesse no ensino médio contrasta com números universitários mais estáveis, mas também em declínio. A matrícula em cursos de graduação fica em cerca de 1.200 estudantes por ano, sem grande variação recente, ainda que haja queda de quase 30% na década de 2010. A história da arte é, assim, descrita como um tema cada vez mais restrito a um segmento privilegiado.
Entre as causas apontadas, a disciplina é vista como cara, exigindo professores especializados e materiais caros, além de taxas de museus. Reformas curriculares, nos últimos 20 anos, priorizaram ciências, tecnologia, engenharia e matemática. Houve tentativas políticas de redução ou eliminação do A-level, incluindo experiência de extinção em 2016, durante governos anteriores.
Especialistas questionam se a forma de apresentar o tema está adequada. A associação observa que o apelo instrumental, com foco em “alfabetização visual” para a era digital, pode não ser suficiente para atrair novos estudantes. A abordagem atual é vista como pouco eficaz para sustentar o interesse pela disciplina em longo prazo.
Como alternativa, aponta-se um modelo diferente de abordagem institucional. Em França, a história da arte é tratada mais como disciplina histórica fundamentada em objetos, arquivos e métodos, integrada a uma infraestrutura cultural apoiada pelo Estado. No Reino Unido, porém, a prática tem sido moldada para atuar como instrumento moral, o que pode não ser suficiente para manter a relevância da área.
O estudo sugere que manter a história da arte como disciplina autônoma e valorizá-la por si mesma pode fortalecer o interesse, em vez de recorrer apenas a impactos práticos ou utilitários. A avaliação aponta que uma reconfiguração pedagógica poderia ampliar o apelo entre estudantes e comunidades, sem perder o valor acadêmico da matéria.
Entre na conversa da comunidade