- A Purdue University nega qualquer ban formal, mas alunos e docentes dizem que há uma política não escrita de rejeitar automaticamente estudantes da China e de outros países considerados adversários.
- A decisão teria seguido um ofício enviado pela comissão especial da Câmara dos EUA sobre o Partido Comunista Chinês, que pediu dados sobre estudantes chineses sob a alegação de riscos à segurança nacional.
- Outros campuses também reduziram parcerias com universidades chinesas, como a University of Illinois Urbana-Champaign, enquanto Columbia University cancelou um programa de intercâmbio financiado por uma organização ligada ao CCP.
- Alunos e ex-alunos relatam ofertas rescindidas semanas após terem sido aceitos, às vezes já tendo recusado outras propostas ou alugado moradias.
- Em junho do ano passado, a Purdue adotou uma política que restringe contatos entre funcionários e países designados como adversários, mas a instituição afirma que não havia instrução escrita para banir estudantes.
Purdue University, em Indiana, enfrenta acusações de adotar uma prática informal de rejeitar estudantes de China e de outros países considerados adversários. A instituição nega a existência de uma proibição formal, mas relatos de alunos, docentes e ex-alunos apontam para mudanças nas admissões após pressão de legisladores.
Segundo relatos, ofertas de graduaçao e financiamentos para estudantes estrangeiros teriam sido revogados semanas após terem sido concedidos, com explicações ausentes ou vagas fechadas sem documentação pública. Alguns estudantes já haviam recusado outras propostas e assinado contratos de moradia na cidade de Lafayette.
A controvérsia ganhou contornos após uma carta do comitê seletivo da Câmara dos EUA sobre o Partido Comunista Chinês, enviada no ano anterior a Purdue e a outras instituições. O documento pediu dados sobre estudantes chineses sob a justificativa de riscos à segurança nacional, citando preocupações com pesquisas e tecnologia.
Reação institucional e desdobramentos
Purdue sustenta que não há banimento de chineses, mas admite que o tema é objeto de escrutínio externo. A universidade afirmou não possuir instrução formal que impeça a admissão de nacionais de países-alvo, e ressalta que decisões de admissões são geridas por departamentos.
Entre docentes, houve relatos de restrições informais ao oferecimento de vagas para estudantes de certos países, sem que documentos oficiais comprovem a prática. O corpo docente pondera que mudanças administrativas podem ter efeito sobre candidaturas internacionais.
Outras instituições também foram afetadas pela pressão legislativa. A Universidade de Illinois Urbana-Champaign informou que revisou parcerias com universidades chinesas após o recebimento de a uma carta parecida, citando necessidade de avaliação diante do ambiente político atual.
Columbia University, em Nova York, encerrou mais cedo um programa de intercâmbio com China, decisão que também foi associada a diretrizes apresentadas pelo comitê. Estudantes afetados relataram atraso em confirmações e cortes de financiamentos próximos da data de viagem.
Contexto mais amplo
A mudança no cenário para estudantes internacionais acompanha medidas adotadas pela administração federal, como cortes de vistos e restrições associadas a estudantes chineses. Analistas indicam que esse ambiente pode impactar o ranking internacional de pesquisas dos EUA.
Além de Purdue, UIUC, Columbia e outras instituições reconheceram o peso do contexto político, ainda que nem todos tenham tomado medidas contra alunos. Organizações acadêmicas privadas questionam a compatibilidade dessas ações com leis de igualdade de oportunidades e com o princípio de meritocracia.
Estudantes chineses e organizações que representam docentes ressaltam que o clima de cautela afeta intercâmbios e oportunidades de pesquisa. Especialistas apontam que esse cenário pode prejudicar a formação de futuras gerações de especialistas em relações China-EUA.
Entre na conversa da comunidade