- O governo de Tarcísio de Freitas vai implantar o projeto Voar em escolas estaduais, separando alunos do 6º ao 9º ano por níveis de aprendizagem.
- Serão 147 escolas de 14 diretorias, com estudantes classificados em adequado, básico e abaixo do básico, segundo notas do Saresp.
- Os alunos serão agrupados em turmas “adaptado” (com maiores defasagens) e “padrão” (com poucas ou nenhuma defasagem), com acompanhamento por um “escopo sequência adaptado”.
- A meta é reduzir desigualdades por meio de aceleração de aprendizagens em Língua Portuguesa e Matemática, sem criar novas séries, com possível transferência entre turmas conforme evolução.
- Há críticas sobre estigmatização e bullying, enquanto a Secretaria de Educação afirma que o modelo não rotula alunos e inclui avaliação e apoio com participação de parceiros externos.
O governo de Tarcísio de Freitas vai lançar um projeto experimental nas escolas estaduais com a finalidade de separar alunos por níveis de aprendizagem. O programa Voar, publicado no Diário Oficial de São Paulo em 4 de fevereiro, envolve estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. A meta é reduzir desigualdades por meio de aceleração de aprendizagens em Língua Portuguesa e Matemática.
Segundo o governo, 147 escolas de 14 diretorias participarão. A lista disponível pela reportagem mostra nomes de estudantes e seus níveis de proficiência classificados como adequado, básico e abaixo do básico, com base nas notas mais recentes do Saresp. O modelo cria turmas em dois formatos: adaptado e padrão.
O adaptado reúne alunos com maiores defasagens, enquanto o padrão congrega quem tem menor déficit ou está com proficiência correspondente a adequado/avançado. A Secretaria de Educação diz que haverá uma “aceleração” para alcançar o currículo padrão, com um escopo sequência adaptado, mantendo o mesmo material didático, apenas reorganizado.
Detalhes operacionais
A Seduc afirma que 95 escolas farão parte de um grupo controle para avaliação. A análise contará com apoio da organização Parceiros da Educação e de uma equipe de Harvard. A secretaria orienta que não haverá rotulação de turmas nem criação de novas séries; os alunos podem migrar entre turmas conforme o diagnóstico pedagógico.
Opiniões e críticas
Educadores ouvidos pela reportagem apontam riscos de estigmatização e bullying, diante da separação por nível. Especialistas, como o professor Fernando Cassio, destacam preocupações sobre a eficácia do formato e sobre manter práticas que já foram descartadas. A secretaria, por sua vez, sustenta que o objetivo é reduzir desengajamento e oferecer condições pedagógicas mais adequadas.
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