- Estudo com quase cinco mil jovens nascidos em 1991 e 1992 mostra que a pressão aos quinze anos aumenta o risco de depressão e autolesão na adolescência e na vida adulta.
- Para cada ponto a mais de pressão aos quinze, a probabilidade de depressão aos dezesseis anos sobe 25% e de autolesão, 8%.
- O efeito persiste até os vinte e poucos anos, com maiores sinais de sofrimento mental aos vinte e quatro anos.
- Recomendações: reduzir o número de provas de alto peso e adotar iniciativas escolares que promovam habilidades sociais, aprendizado emocional e técnicas de relaxamento; as famílias devem reduzir a pressão e incentivar atividade física, socialização e sono.
- O estudo foi publicado na Lancet Child and Adolescent Health; outras vozes destacaram a necessidade de ações nacionais para apoiar a saúde mental de crianças e jovens e ajustar formas de avaliação.
O estudo, conduzido por pesquisadores da University College London, relaciona o estresse acadêmico aos 15 anos com maior risco de depressão e autoagressão até a idade adulta. A pesquisa utilizou dados de quase 5 mil jovens nascidos em 1991 e 1992, participantes de uma coorte ampla de crianças.
Ao longo do acompanhamento, o estresse relacionado à escola aos 15 anos foi avaliado por meio de questionários sobre as experiências escolares. O histórico mental foi monitorado entre 16 e 22 anos, e episódios de automutilação até os 24.
O estudo, publicado na Lancet Child and Adolescent Health, aponta que adolescentes com maior preocupação com o desempenho acadêmico tinham maior probabilidade de apresentar depressão e autoagressão na vida adulta, mesmo após o período escolar.
Para cada ponto adicional de pressão aos 15 anos, houve aumento de 25% na depressão e 8% em autoagressão aos 16, com o efeito persistindo até os 20 e poucos anos. Taxas altas de pressão também se associaram a pior estado de saúde mental em idade adulta.
Implicações e recomendações
Os autores destacam que a pressão escolar não deve ser tratada apenas com estratégias de enfrentamento nos alunos, mas por meio de iniciativas abrangentes na escola. Intervenções que desenvolvam habilidades sociais e de relaxamento são apontadas como importantes.
Reduzir o número de provas de alto impacto pode diminuir o estresse acadêmico, segundo a pesquisa. Também sugerem que as famílias incentivem atividades físicas, sociabilidade e sono adequado para reduzir a pressão.
Especialistas vinculados a organizações de saúde infantil comentaram que o aumento de problemas de saúde mental entre crianças e jovens já é observado, reforçando a necessidade de ações nacionais para ampliar acesso a suporte emocional e médico, além de enfrentar fatores como pobreza e habitação precária.
A comissária de crianças ressaltou a importância de um sistema escolar que ofereça apoio precoce, envolvendo serviços especializados antes que haja crise. O objetivo é reconstruir a confiança entre famílias, escolas e profissionais.
Governos devem avançar com ações que promovam bem-estar, circulação de informações sobre saúde mental e melhoria de ambientes escolares, mantendo o foco na prevenção e no acesso equitativo a investimentos educacionais e de saúde.
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