- O Hospital das Clínicas da USP abriu as inscrições para o primeiro curso de especialização lato sensu voltado à saúde da população LGBTQIAP+.
- A pós-graduação, com 456 horas, é a primeira do tipo aprovada e regularizada pelo Ministério da Educação e abrange temas como identidade de gênero e orientação sexual em diversas especialidades.
- O curso é coordenado pelo psiquiatra Daniel Mori e busca formar profissionais para atendimento humanizado e multiprofissional diante de discriminação e dificuldades de acesso a serviços.
- A proposta incentiva a produção científica e a conexão dos alunos com uma rede de especialistas, promovendo prática ética e atualização constante.
- O curso aborda a saúde mental da população LGBTQIAP+, destacando impactos do estresse de minorias e dados que estimam entre 3 e 5 milhões de pessoas no Brasil se identificando como trans, não binárias ou travestis.
O Hospital das Clínicas da USP, por meio do HCX FMUSP, abriu as inscrições do primeiro curso de especialização lato sensu voltado à Saúde da População LGBTQIAP+. A iniciativa visa formar profissionais para um atendimento mais humano e técnico, preenchendo uma lacuna histórica na formação brasileira.
O curso é coordenado pelo psiquiatra Daniel Mori, ligado ao ambulatório transdisciplinar do IPq. A proposta é promover uma abordagem multiprofissional, unindo diversas áreas para atender às especificidades de saúde da população LGBTQIAP+.
A pós-graduação tem carga horária de 456 horas e já está regularizada pelo MEC. Atua como referência ao permitir aprofundamento técnico em temas como identidade de gênero, orientação sexual e suas interfaces com várias especialidades médicas.
Diferenciais e grade curricular
O programa oferece visão multidisciplinar, com foco em urologia, endocrinologia, geriatria, infectologia, serviço social e antropologia. O objetivo é ampliar o olhar técnico e humano sobre as particularidades de saúde dessa população.
A proposta incentiva a produção científica e a sensibilização para práticas respeitosas e inclusivas, assegurando o direito a acesso à saúde, educação, emprego e lazer. Mori destaca a importância de uma formação que priorize a dignidade do paciente.
Impacto na saúde mental e vulnerabilidade
O curso aborda demandas muitas vezes invisíveis, como prevenção específica e sexualidade, ampliando o cuidado além da consulta tradicional. Estresses de minorias e discriminação elevam riscos de depressão e ansiedade entre LGBTQIAP+.
Estudos locais indicam que milhões no Brasil se identificam como trans, não binários, travestis, lésbicas, gays ou bissexuais e demandam um sistema de saúde mais acolhedor, conforme estimativas da USP.
Educação continuada como solução
A iniciativa é vista como resposta às falhas de formação na graduação. O curso conecta alunos a uma rede de especialistas com experiência na temática, promovendo atualização, conteúdo de qualidade e instrumentalização clínica.
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