- No segundo trimestre, 82,4% dos 55 bilhões captados por debêntures ficou com bancos coordenadores, conforme levantamento da CVM via NeoFeed.
- As saídas de fundos de crédito privado somam 76,1 bilhões desde fevereiro, levando bancos a absorver emissões com garantia firme e elevar taxas.
- Debêntures incentivadas recuaram 57,6%, para 13,9 bilhões, e a participação dos bancos subiu para 89,1%.
- Em junho houve alívio: resgates praticamente zeraram e os spreads mostraram recuo, mas bancos seguem cautelosos sobre próximas emissões.
- As operações futuras devem ser menores, mais caras ou com mais garantias, com bancos gradualmente se desfazendo de papéis encarteirados.
O mercado de debêntures vive um momento de forte dependência dos bancos. No segundo trimestre, 82,4% dos 55 bilhões de reais captados foram coordenados por bancos, segundo dados da CVM compilados pelo NeoFeed. O movimento acompanha saídas de fundos de crédito privado desde fevereiro.
Com a fuga de recursos, bancos absorveram emissões com garantia firme e elevaram taxas entre 30 e 50 pontos-base. O recuo foi intenso nas debêntures incentivadas, que caíram 57,6% no trimestre, e a participação dos bancos subiu para 89,1%.
Os resgates nos fundos de crédito somaram 76,1 bilhões de reais desde fevereiro, gerando aversão ao risco, compressão de spreads no secundário e venda de papéis pelos gestores para honrar saques. As emissões passaram a ocorrer com mais garantias ou em formato de melhores esforços.
Estruturação e encarteiramento
No segundo trimestre de 2026, 60,8% das 102 emissões registradas na CVM foram integralmente absorvidas pelos bancos. Em igual período de 2025, esse share era de 44,4%. O volume de emissões 100% encarteiradas representou 69,7% do total captado, ante 28% no 2º trimestre de 2025.
Entre as empresas que realizaram operações com bancos como absorventes totais estiveram Vibra Energia, Rede D’Or, Localiza e a Concessionária da Linha 4 do Metrô de São Paulo. O montante envolvido chegou a 1,6 bilhão, 2,5 bilhões, 1,2 bilhão e 1,8 bilhão de reais, respectivamente.
Cenário de incentivos e impactos
Aos poucos, o mercado de debêntures incentivadas foi mais atingido, com queda de 34,5% no volume total do trimestre frente ao ano anterior e redução de 31 operações. A participação dos bancos nesses papéis subiu rapidamente, atingindo 89,1% em junho.
A explicação inclui obrigação regulatória de alocar grandes parcelas de patrimônio em debêntures incentivadas, o que pressionou fundos a vender papéis a mercado quando a liquidez caiu. A consequência foram spreads pressionados e novos saques.
“Os bancos optaram por encarteirar para manter o mercado funcionando”, comenta um especialista. Em períodos de estresse, eles elevam taxas para sustentar operações com garantia firme, ainda que haja risco de perdas futuras.
Perspectivas e cautela
Apesar de sinais de recuperação em junho, com resgates praticamente zerados, bancos permanecem cautelosos. A tendência é de operações menores, mais caras, com maior garantia ou em melhores esforços, até que haja maior demanda de investidores.
Especialistas indicam que o tamanho das ofertas pode ganhar importância com menor liquidez em relação ao ano passado. Bancos devem acompanhar a dinâmica de mercado, mantendo estratégia de absorção gradual de papéis encarteirados e gestão de spreads no curto prazo.
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