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Patreon apoia artistas na era da IA, diz CEO Jack Conte

Conte apresenta Patreon como suporte direto a artistas na era da IA, ampliando descoberta, alcance e autonomia dos criadores

A photo illustration of Patreon CEO Jack Conte.
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  • Patreon, sob a direção de Jack Conte, se apresenta hoje como um “índice de pequenas empresas de mídia” e busca competir com plataformas sociais, criando demanda de audiência diretamente com fãs, em vez de depender apenas de grandes redes.
  • A empresa desenvolveu ferramentas de descoberta e de topo de funil — como memberships gratuitas, mensagens nativas e feed de conteúdo — para não depender apenas de plataformas como Meta e Google; atualmente, são 185 milhões de memberships gratuitos, com crescimento anual de duas vezes, gerando cerca de 1,5 milhão de novos seguidores por mês e convertendo 750 mil seguidores gratuitos em pagos mensalmente.
  • A organização funciona por objetivos, com equipes cross-funcionais que trabalham para melhorar as experiências centrais no Patreon; a empresa também acompanha o movimento rumo a ecossistemas abertos e não pretende virar uma “rede social” no sentido tradicional.
  • Em relação à IA, Conte diz que Patreon usa IA internamente para acelerar o desenvolvimento e que não pretende tornar a plataforma apenas voltada a IA; o foco é ajudar os criadores a entregar conteúdo e gerenciar seus negócios, com moderação de conteúdo mais robusta e políticas claras (incluindo definição detalhada de pornografia).
  • Sobre pagamentos e plataformas, houve pressões de operadoras como a Apple, levando à depreciação de estruturas antigas e à implementação de um sistema de pagamentos “trocável” para manter a renda dos criadores; Patreon também defende que os criadores sejam donos de seus públicos e dados, promovendo maior independência frente às grandes plataformas.

Patreon passa por uma transformação estratégica. Nesta entrevista, o CEO e cofundador Jack Conte explica como a empresa, antes centrada em pagamentos, evoluiu para atuar como um índice de pequenas empresas de mídia, buscando competir com plataformas como Instagram e TikTok ao incentivar a descoberta de criadores. Conte afirma que, diante de um ecossistema dominado por redes que diluem alcance, a empresa precisa construir sua própria audiência para seus criadores.

A mudança ocorre em um contexto de mudanças rápidas na internet. Conte aponta que o impulso das grandes plataformas de mover de seguidores para distribuição baseada em interesses gerou problemas sociais e prejudicou a relação dos criadores com seu público. Segundo ele, Patreon decidiu internalizar ferramentas de descoberta, hospedagem e mídia para manter o crescimento dos criadores sem depender exclusivamente de terceiros.

Estratégia e Mudança de Patrocinadores

Conte descreve a Patreon atual como uma arquitetura orientada a objetivos, com equipes cruzadas que trabalham para entregar resultados mensuráveis. Ele explica que a empresa investiu em ferramentas de mídia nativas, como vídeo, chat e feeds, para criar um topo de funil próprio para os criadores. O objetivo é garantir alcance determinístico e facilitar a construção de comunidades ao redor de obras, em vez de depender de algoritmos de plataformas externas.

O líder também detalha seu processo decisório, destacando práticas para acelerar decisões dentro da empresa. Entre as estratégias, estão perguntas rápidas para identificar opiniões fortes no começo das reuniões, clareza sobre o responsável pela decisão (DRI) e o uso de pré-leituras para evitar longas discussões sem base. O objetivo é convergir para ações práticas com menor atrito.

Relação com Plataformas e Ecossistema Aberto

Conte defende que Patreon não é uma rede social tradicional, ainda que use elementos aparentados, com foco em relações determinísticas entre criadores e fãs. Ele cita a busca por um ecossistema de redes abertas, com interesse em tecnologia federada e em projetos como Surf para navegação entre plataformas abertas, como Bluesky e Mastodon.

Sobre o papel de plataformas concorrentes, o CEO ressalta que a prioridade é permitir que criadores mantenham controle sobre suas audiências. A ideia é que o criador possa levar seus seguidores para outras frentes caso necessário, reforçando a propriedade do público e o poder de decisão do criador.

Conteúdo, Moderação e Políticas de Uso

A conversa aborda ainda moderação e políticas de conteúdo. Conte afirma que Patreon mantém uma política de conteúdo mais rígida que a de alguns concorrentes, sem abrir mão de expressão artística. Segundo ele, a plataforma não hospeda pornografia, possui regras claras sobre nudez e consigna decisões com base em critérios trabalhados por uma equipe de moderadores.

A empresa também discute a gestão de pagamentos e compatibilidade com processadores. Conte descreve uma arquitetura de pagamentos “hot-swappable”, que permite substituir provedores e manter o volume processado, fortalecendo a posição da plataforma em negociações com bancos e processadores.

AI, Inovação e o Futuro do Alcance

No debate sobre IA, Conte afirma que a indústria criativa enfrenta dilemas éticos e legais. O CEO explica que a Patreon usa IA internamente para acelerar desenvolvimento de funcionalidades e organização de equipes, sem transformar a plataforma em uma solução centrada apenas em IA. Ele propõe uma abordagem em camadas: permitir que criadores usem IA para empacotar, promover e gerenciar negócios, mantendo o foco central na criação.

Conte também vê potencial na cooperação entre plataformas abertas e redes descentralizadas para dar aos criadores mais autonomia. Ele cita a importância de governança, modelo de negócios e propriedade da rede como pilares para o futuro das redes digitais. A entrevista encerra com a defesa de que o ecossistema precisa evoluir para sustentar a diversidade de criadores e apoiar a sustentabilidade da indústria criativa.

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