- 79% da capacidade global de data centers está exposta a riscos climáticos agudos, como enchentes, ventos extremos e incêndios.
- Nas Américas esse índice chega a 86%, na Ásia-Pacífico é de 60% e na Europa, Oriente Médio e África (EMEA) fica em 25%.
- Além disso, 54% da capacidade global já opera sob estresse crônico de calor ou seca; na Ásia-Pacífico, 89% está acima dos limites críticos, nas Américas são 50% e na EMEA, 46%.
- O estudo é o 18º relatório da First Street sobre risco climático em mercados de data centers, que cruzou 97 mercados globais e afirma que o risco já está no balanço, mas não é precificado corretamente.
- Casos reais citados incluem enchentes no Texas que interromperam subestações e calor extremo em Londres, em 2022, que pressionou resfriamento de data centers do Google e da Oracle.
O estudo da First Street aponta que 79% da capacidade global de data centers está exposta a riscos climáticos agudos, como enchentes, ventos fortes e incêndios. Nas Américas, esse índice sobe para 86%. Na região Ásia-Pacífico fica em 60%, e na Europa, Oriente Médio e África somam 25%.
Além disso, 54% da capacidade global opera sob estresse crônico de calor ou falta de água, segundo o relatório 18º da First Street, intitulado Climate risk in global data center markets. O aquecimento persistente e a escassez hídrica impactam operações ao longo do tempo.
Região mais vulnerável
A Ásia-Pacífico registra o maior nível de exposição: 89% da capacidade regional já opera acima de limites críticos de calor. As Américas mostram 50% nessa faixa, enquanto a EMEA fica em 46%. O relatório indica que a operação está sendo afetada por fatores climáticos.
Sobre a First Street
A First Street é uma organização sem fins lucrativos dos EUA, criada em 2016, que modela riscos climáticos para enchentes, calor extremo, incêndios e outros eventos. Seus dados são usados por seguradoras, bancos e fundos imobiliários.
Metodologia e recorte
O relatório mapeou 97 mercados investíveis, cruzando capacidade instalada com exposição a riscos climáticos agudos e crônicos. O objetivo é demonstrar que o risco climático já está no balanço, mas não está precificado adequadamente.
Riscos agudos x crônicos
Riscos agudos incluem enchentes, ventos extremos e incêndios, que podem danificar estruturas e interromper operações. Já os riscos crônicos, como calor constante e escassez de água, reduzem a eficiência de resfriamento e elevam custos.
Efeitos financeiros
O estudo aponta que eventos extremos podem causar paralisações, custos emergenciais e aumento de prêmios de seguro. Riscos crônicos tendem a comprimir margens, encurtar vida útil de equipamentos e elevar custos operacionais.
Casos reais
Um caso no Texas, no ano passado, envolveu enchentes que afetaram subestações e linhas de transmissão. Sites operaram com geradores a diesel, elevando custos e dificultando manutenções. Em 2022, no Reino Unido, calor intenso levou a falhas no resfriamento de data centers do Google e da Oracle.
Locais de maior e menor risco
Entre os mercados com maior risco composto estão Johor (Malásia), Singapura, Batam (Indonésia), Marselha (França) e Virgínia (EUA). Os mais seguros incluem Estocolmo, Londres, Copenhague, Toronto, Bogotá, São Francisco, Amsterdã, Montreal, Oslo e Dublin.
Preços e investimentos
O relatório afirma que o capital segue para mercados mais expostos, sem que os fundamentos reflitam o risco físico. Propõe que o risco climático seja incorporado aos modelos de precificação de instituições financeiras.
Implicações para o setor
Investidores e credores devem considerar a temperatura de operação, disponibilidade de seguros e cenários de downtime ao avaliar projetos. A localização passa a influenciar o retorno ajustado ao risco de data centers.
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