- INCC-M encerrou maio em alta de 0,77% e 6,82% no acumulado de doze meses, atingindo o maior patamar desde setembro de 2025, com o componente de materiais subindo 1,02% no mês.
- Em termos annualizados, a inflação dos materiais já chega a 5,7%, sustentando pressões de custos na construção civil.
- No mês, custo de mão de obra avançou 0,43% e acumula oito vírgula quatro por cento em doze meses, com desaceleração desde o pico de 10,43% em agosto de 2025.
- Dados apontam cenário misto: geração de empregos segue aquecida (construção representou 27,4% das 86 mil vagas líquidas em abril), mas indicadores de confiança e utilização da capacidade recuaram.
- O Banco Central pode manter juros altos (Selic em torno de 13,75% para 2026, conforme o Focus), o que eleva o endividamento e dificulta financiamentos, conforme análise do BB Investimentos.
A construção civil brasileira vive um cenário misto: empregos seguem em alta, mas custos de materiais e juros elevados pesam no ambiente do setor. A leitura é de BB Investimentos com base em dados recentes.
Segundo o Caged, foram criados 86 mil empregos líquidos em abril, dos quais 23,5 mil na construção civil, correspondendo a 27,4% do total de vagas. A participação do setor aumentou para 9,6% nos últimos 12 meses.
Essa trajetória favorable de emprego contrasta com indicadores de confiança e atividade. O ICST da FGV Ibre teve leve avanço em maio, para 93,0 pontos, mas o Nível de Expectativas caiu para 92,9 pontos, frente ao mês anterior.
A Sondagem da Construção da CNI mostra alta na atividade presente, porém projeções para os próximos seis meses desaceleram. O NUCI caiu para 77,4% em maio, menor maio desde 2022, sinalizando menor utilização da capacidade produtiva.
Custos e juros pressionam o setor
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) encerrou maio em alta, 0,77%, com avanço de 6,82% em 12 meses, o maior desde set/2025. O componente de materiais subiu 1,02% em maio, segundo mês seguido de alta.
A inflação dos materiais já soma 5,7% no ano. O BB aponta que esse efeito tende a passar a custos mais elevados de projetos e financiamentos nos próximos meses.
A mão de obra também segue em alta, 0,43% em maio e 8,4% no acumulado de 12 meses, mas em trajetória de desaceleração desde o pico de 10,43% em ago/2025. Juros altos permanecem como entrave ao setor.
O ambiente de política monetária, com o BC ainda considerado hawkish por causa de guerras e incertezas fiscais, sustenta a taxa Selic longe de um dígito. O Focus elevou a expectativa de Selic terminal para 2026 a 13,75%.
“Isso aumenta o endividamento das empresas e limita a atratividade de financiamentos imobiliários com taxas livres”, comenta Felipe Mesquita, do BB Investimentos.
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