- A Ferrari revelou o Luce, seu primeiro carro 100% elétrico, com críticas estéticas que abalaram a percepção de inovação técnica.
- Na terça-feira (26), as ações em Milão caíram 8,37% e, nos Estados Unidos, recuaram 5,3%.
- Na quarta-feira (27), a ação em Milão caiu mais 0,3%, acumulando baixa de mais de 32% em doze meses.
- Analistas apontam que a leitura negativa veio da combinação entre o design polêmico do Luce e um movimento de realização de lucros após a alta anterior ao lançamento.
- O episódio teve também desdobramentos políticos e de imagem, com críticas do ex‑presidente Luca di Montezemolo e do vice‑primeiro‑ministro Matteo Salvini, que chamou o carro de caro e pouco alinhado ao Cavallino Rampante.
O Luce, primeiro carro 100% elétrico da Ferrari, foi apresentado como marco tecnológico da marca. O anúncio ocorreu recentemente, em meio a uma estreia que visava ampliar a linha esportiva da Cavallino Rampante. A reação inicial veio do mercado, com leitura de que a inovação pode enfrentar desafios de aceitação estética.
Na terça-feira seguinte ao lançamento, 26, as ações da Ferrari em Milão caíram 8,37%. Nos EUA, os papéis recuaram 5,3%. Na sessão de 27 de abril, a queda em Milão chegou a 0,3%, acumulando queda superior a 32% em 12 meses. Os investidores negociaram lucros após a alta pré-lancamento.
Não houve rejeição direta à eletrificação, segundo analistas. A queda está associada à combinação entre críticas ao design e uma tendência natural de realização de ganhos após ganhos expressivos com o anúncio. O balanço entre inovação técnica e apelo estético, segundo especialistas, pesou no humor do mercado.
A apresentação do Luce trouxe também uma leitura de linguagem visual mais próxima do mercado chinês, hoje o maior do mundo, o que gerou debate sobre a identidade da marca. O carro pode parecer distanciado do imaginário tradicional de Maranello para parte do público e da indústria.
Para o consultor automotivo Milad Kalume Neto, o design do Luce é polêmico e tende a se aproximar do estilo visto no mercado chinês, o que explica parte da reação negativa. O especialista destacou que o visual não é típico de uma Ferrari, ainda que a tecnologia seja inovadora.
Entre os desdobramentos, figuras históricas foram ao centro do debate. O ex-presidente Luca di Montezemolo criticou o desenho, sugerindo mudanças na dianteira do carro. A Ferrari não comentou as declarações, mantendo o foco na apresentação do modelo.
A atuação de autoridades italianas também repercutiu. O vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes, Matteo Salvini, classificou o Luce como caro, estimando o preço em cerca de 550 mil euros e afirmando que não condizia com o espírito da marca.
Análise de especialistas aponta que a Ferrari pode mirar o mercado chinês sem abandonar a identidade global. A prioridade é equilibrar a nova linguagem com a tradição esportiva da marca, de modo a atender aos diversos públicos sem perder o núcleo de Ferrari.
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