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Economia brasileira perde fôlego; mercado revisa ritmo de crescimento

Mercado vê desaceleração da atividade no começo de 2026, com serviços em retração e inflação persistente mantendo juros elevados

Dados recentes vieram bem abaixo do que o esperado pelos economistas
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  • O IBC-Br caiu 0,7% em março frente a fevereiro, puxando o recuo do trimestre; o indicador acumula alta de 1,3% no primeiro trimestre.
  • O setor de serviços ficou em queda (março -1,2%), marcando a maior desaceleração entre os componentes da atividade.
  • Apesar da desaceleração, a economia manteve desempenho relativamente sólido no trimestre, com indústria e varejo mais resilientes.
  • Economistas veem uma fase de crescimento mais moderado no curto prazo, com efeitos da política monetária restritiva ganhando força.
  • No cenário de juros, o Boletim Focus aponta inflação acima da meta e Selic projetada em 13,25% ao fim de 2026, mantendo o tom de cautela do Banco Central.

A economia brasileira mostrou sinais de perda de ritmo no fim do primeiro trimestre. O índice de atividade econômica (IBC-Br), prévia do PIB, caiu 0,7% em março na comparação mensal, segundo o Banco Central. O resultado veio abaixo das projeções, mas a leitura acumulada do trimestre ainda aponta alta de 1,3%.

O destaque ficou com o setor de serviços, que encerrou o trimestre em queda. A leitura reforça a visão de que os efeitos da política de juros elevados começam a se manifestar na economia real, ainda que a atividade permaneça relativamente forte no agregado do período.

Na sexta-feira, o IBGE informou que o volume de serviços caiu 1,2% em março, agravando a trajetória de recuo. O resultado contrasta com a ligeira expansão observada no fim de 2025 e sinaliza desaceleração da atividade, principalmente no componente mais relevante para o PIB.

A leitura de economistas aponta que o Brasil entrou em uma fase de crescimento mais moderado após um início de ano impulsionado por consumo, indústria e estímulos à demanda. A discussão agora é sobre a velocidade da desaceleração, não apenas seu início.

Para Yihao Lin, da Genial Investimentos, o IBC-Br mostra desaceleração disseminada entre os setores e interrompe uma sequência de aceleração recente. Em 2026, a recuperação ainda existe, mas o ambiente é mais desafiador.

A Genial estima que os próximos trimestres devem apresentar enfraquecimento gradual da atividade, conforme restrições monetárias ganham efeito. O estudo também cita riscos externos relacionados ao conflito no Oriente Médio, com impactos sobre inflação e petróleo.

Segundo Rafael Perez, da Suno Research, março representou acomodação após meses de forte expansão. Mesmo com setores como serviços e indústria resilientes, a tendência é de perda de ritmo ao longo de 2026.

O Banco Daycoval aponta uma economia cada vez mais heterogênea, com consumo e varejo sustentados pelo mercado de trabalho e por estímulos fiscais, enquanto setores mais dependentes de crédito perdem tração. A instituição vê recuperação concentrada em poucos ramos.

Perspectivas de juros

A inflação persistente continua freando mudanças mais rápidas na política monetária. O Boletim Focus mostrou manutenção das expectativas acima da meta e elevou a projeção da Selic ao fim de 2026 de 13% para 13,25%.

Para Pablo Spyer, da ANCORD, o cenário mantém o Banco Central em posição delicada. “A economia desacelera, mas a inflação persiste. Isso sustenta juros elevados por mais tempo”, afirma.

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