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Maior IPO do ano levanta US$ 3,2 bi e transforma fundador em bilionário

IPO da Cerebras dispara 68% na estreia, valorizando Feldman em US$ 3,2 bilhões e elevando a empresa a US$ 67 bilhões de valor de mercado

Andrew Feldman, da Cerebras | Apaixonado por churrasco, Feldman acendia um defumador nos fundos dos escritórios da Foundation nos primeiros tempos da Cerebras . (Foto: Michael Nagle/Bloomberg)
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  • A Cerebras Systems estreou na Nasdaq na quinta-feira, 14, com queda inicial de cerca de 68% na abertura, após o IPO ser o maior do ano, avaliando a empresa em aproximadamente US$ 67 bilhões.
  • O cofundador e CEO, Andrew Feldman, passou a ter uma participação estimada em US$ 3,2 bilhões, enquanto o cofundador Sean Lie fica com cerca de US$ 1,6 bilhão.
  • A Cerebras fabrica chips de IA de grande porte, voltados para inferência, e já ganhou clientes como OpenAI e Amazon (AWS).
  • A valorização ocorre em meio ao cenário onde chips de IA ganharam destaque desde o lançamento do ChatGPT e a consolidação da Nvidia como líder do setor.
  • Feldman, empresário com histórico no Vale do Silício, lidera a empresa desde 2015, quando iniciou a atuação no segmento de hardware para IA.

A Cerebras Systems, fabricante de chips de IA cofundada por Andrew Feldman em 2015, abriu capital na Nasdaq na tarde de quinta-feira, 14 de maio, impulsionada pela busca de investidores por soluções de inferência de IA. A estreia levou as ações a subir cerca de 68%, elevando a empresa a uma avaliação de aproximadamente US$ 67 bilhões e transformando Feldman em bilionário de tecnologia, com US$ 3,2 bilhões.

A operação foi o maior IPO do ano até o momento, fez a Cerebras ganhar notoriedade mundial e reforçou o desempenho de empresas do segmento de chips para IA, que ganharam destaque desde o lançamento do ChatGPT pela OpenAI em 2022 e a ascensão da Nvidia no setor. A empresa afirmou que a maior parte de sua receita recente já vem de clientes no exterior.

Feldman, de 56 anos, é dono de uma participação de 4,6% na Cerebras, o que o coloca na casa dos US$ 3,2 bilhões, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg. Seu sócio e cofundador Sean Lie detém cerca de 2,5% das ações, com uma carteira correspondente de US$ 1,6 bilhão. O executivo celebrou o feito, dizendo que o IPO ficou entre os maiores da história da tecnologia e dos semicondutores.

Entre os diferenciais da Cerebras está o uso de um chip de tamanho próximo ao de uma folha A4, projetado para acelerar tarefas de inferência em IA. A empresa afirma oferecer desempenho mais rápido que os modelos tradicionais usados na indústria, ao custo de maiores demandas energéticas que são gerenciadas no projeto.

A Cerebras já tem contratos relevantes com grandes nomes: a OpenAI trabalha com seus chips desde fevereiro para rodar modelos de IA, com um acordo estimado em até US$ 20 bilhões em capacidade até 2028; a Amazon também anunciou, em março, que incluiria os chips da Cerebras em seus data centers da AWS ainda neste ano. A maior parte da receita no último ano foi gerada no Oriente Médio.

O histórico de Feldman inclui passagem por diversas startups e uma breve pendência judicial no passado. Segundo documentos de registro, ele foi condenado em 2007 a três anos de liberdade condicional por violar controles contábeis quando era vice-presidente de marketing da Riverstone Networks, empresa que mais tarde foi adquirida pela AMD. Depois disso, fundou a SeaMicro, cuja tecnologia acabou integrada à AMD.

A Cerebras conta com apoio da Foundation Capital, que detém cerca de 7% do capital e ajudou a recente fase de expansão. A empresa planeja próximos ciclos de remuneração para Feldman e Lie, com base no desempenho de valor de mercado, segundo planos divulgados pela diretoria.

Além do desempenho do IPO, o setor de chips para IA continua recebendo atenção do mercado, refletindo o interesse de investidores por soluções de inferência rápida à medida que aplicações de IA se tornam mais comuns em empresas e serviços digitais ao redor do mundo. A trajetória da Cerebras, com clientes estratégicos e tecnologia proprietária, é acompanhada com interesse por analistas da indústria.

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