- O fim da taxa das blusinhas, anunciado pelo presidente, pode afetar o polo de confecções do Agreste, principal motor econômico de vários municípios da região.
- Em 2025, o polo movimentou R$ 18,6 bilhões e envolveu cerca de 14 mil empreendimentos formais e informais, com produção para pelo menos 62 municípios.
- A estimativa é que entre 90 mil e 105 mil empregos formais estejam ligados ao setor, totalizando entre 180 mil e 220 mil empregos na cadeia; a arrecadação de ICMS foi de R$ 1,2 bilhão em 2025.
- Especialistas apontam que o fim da taxa tende a gerar um choque distributivo assimétrico, com custos concentrados para varejo, indústria e confecções locais, e pode tornar o polo um tema político regional.
- Há reivindicação de compensação: a Câmara de Dirigentes Lojistas de Santa Cruz do Capibaribe defende isenção para empresas brasileiras de moda em vendas de até R$ 250 (equivalente a US$ 50) para reduzir impactos.
A decisão de encerrar a chamada taxa das blusinhas, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode impactar o polo de confecções do Agreste pernambucano, principal gerador de empregos da região após o eixo São Paulo. A medida afeta a segunda maior cadeia do setor no país.
O anúncio repercute diretamente em Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru, territórios que moldam a produção voltada ao varejo. O polo envolve cerca de 14 mil empreendimentos formais e informais, que atuam em diferentes etapas da cadeia produtiva.
Em 2025, o polo registrou movimentação de 18,6 bilhões de reais, um crescimento de 19,2% frente ao ano anterior. Dados do NCTPE apontam ainda que a região sustenta entre 90 mil e 105 mil empregos formais, com a ocupação total da cadeia entre 180 mil e 220 mil trabalhadores.
A depender do raciocínio técnico apresentado pelo setor, a medida tende a criar impactos concentrados para varejo e indústria local, com benefícios para consumidores de menor renda sendo distribuídos de forma menos perceptível politicamente.
A diretoria do NCTPE destacou que a logística, a ausência de indústria têxtil próxima e o custo elevado de insumos dificultam competir com produção chinesa de grandes volumes. A taxa tinha efeito de proteção ao polo, segundo as lideranças locais.
Para o setor, a economia do Agreste depende de compras públicas, crédito acessível e desonerações setoriais para manter a competitividade frente a importações. Operadores locais argumentam que a isenção pode evitar demissões e fortalecer empresas nacionais, principalmente entre micro e pequenas.
Especialistas ponderam que o fim da taxa pode gerar um choque distributivo: ganhos para consumidores de baixo poder aquisitivo, porém custos maiores para lojistas, confecções e plataformas locais. A avaliação é de que o efeito político pode exigir ações de política pública para manter o equilíbrio competitivo.
Observa-se ainda o papel político do tema no cenário estadual, com a possibilidade de o polo do Agreste se tornar uma pauta de tensões entre o governo federal e interlocutores locais, caso não haja compensações relevantes, como linhas de crédito, desonerações ou compras públicas.
A CDL de Santa Cruz do Capibaribe aponta que a isenção pode, a curto prazo, impactar empregos e a indústria local, citando ainda dificuldades estruturais como tributos elevados, juros, crédito restrito e logística cara. Autoridades locais pedem medidas compensatórias para manter a base produtiva.
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