- O setor imobiliário na bolsa apresenta ciclo virtuoso, com resultados recordes e margens fortes apesar da Selic ainda alta e inflação na construção.
- Em 2025 e início de 2026, companhias de alto padrão (como JHSF) registraram faturamento e EBITDA recordes, com EBITDA de 1,8 bilhão em 2025 e forte crescimento no 1T26.
- A JHSF teve lucro líquido de 1,9 bilhão em 2025 e, no 1T26, EBITDA ajustado de 250,6 milhões e lucro de 371 milhões, impulsionados por shoppings e loteamentos.
- Entre as de baixa renda, Direcional Engenharia mostrou margem bruta estável e receita de 1,165 bilhão no 1T26, com lucro de 213 milhões e ROE anualizado de 39%.
- O programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) também sustenta o otimismo, com ganhos em companhias do segmento de baixa renda e avaliações positivas de analistas sobre valuation e perspectivas de lançamentos.
Nos últimos meses, companhias do setor imobiliário registraram resultados expressivos, mesmo com juros elevados e inflação ainda moderada. O mercado repercutiu positivamente, com elevações nas cotações e revisões para cima por parte de casas de análise. A visão é de espaço para novas altas, diante de margens resilientes e demanda estável.
A Cury teve ROE de 79,5% no 1T26, superando expectativas com lucro de 303 milhões e receita de 1,6 bilhão. A empresa confirmou desempenho acima do consenso, com resultados recordes em todas as linhas do balanço. O EBITDA também registrou alta relevante.
Na prática, a JHSF encerrou 2025 com o maior lucro líquido da história, de 1,9 bilhão, e EBITDA de 1,8 bilhão, alta de 145%. Entre janeiro e março de 2026, o EBITDA ajustado somou 250,6 milhões, e o lucro líquido chegou a 371 milhões.
A receita do 1T26 reforçou a diversificação setorial, com a divisão de shoppings e real estate contribuindo para o desempenho. A empresa ainda registrou que o estoque de incorporação foi vendido a um FII estruturado pela JHSF Capital, elevando a renda recorrente.
A Moura Dubeux, atuante no Nordeste, reportou lucro líquido de 155 milhões no 1T26, alta de 120% ante o mesmo período do ano passado. O ROE anualizado ficou em 32,5%, considerado robusto pela análise de mercado.
A Direcional Engenharia também divulgou resultados fortes para o período, com receita líquida de 1,165 bilhão, alta de 30%, e lucro de 213 milhões, +30% anuais. O ROE ficou em 39% no trimestre, impulsionando avaliações positivas.
Analistas destacaram recomendação de compra para as ações da JHSF e da Moura Dubeux, citando múltiplos atrativos e visão de lançamentos futuros. O Itaú BBA mantém Moura Dubeux entre as favoritas do setor.
Apesar do desempenho, o setor continua atento a fatores macro. O INCC-M de construção civil subiu 1,4% em abril, maior alta desde 2022, e o IPCA apontou alta de 0,63% no mesmo mês. Custos maiores pressionam insumos como cimento e aço.
No front de juros, o BC mantém o ciclo de flexibilização, mas o mercado projeta Selic terminal entre 13% e 14% no fim de 2026. Relatórios indicam sensação de cautela diante de cenários de inflação e demanda.
As expectativas indicam que o segmento de baixa renda, especialmente projetos do Minha Casa Minha Vida, também apresenta sinais positivos, com margens estáveis e posicionamento diante de mudanças no programa.
Entre as perspectivas, analistas ressaltam que a linha de alta renda tende a ser mais resiliente frente a choques de juros e inflação, enquanto o segmento de média renda pode enfrentar maior pressão de margens. O setor, no entanto, mantém visão de recuperação operacional.
Em síntese, o desempenho recente das incorporadoras e das empresas de baixa renda aponta para um ciclo de recuperação, com resultados robustos e margens estáveis, mesmo frente a cenários macro desafiadores. A continuidade desse movimento dependerá da evolução da inflação, dos custos de construção e das próximas mudanças no programa habitacional.
Entre na conversa da comunidade