- Anthony Scaramucci alertou que a Clarity Act pode não passar pelo Senado até 2029, citando lobby bancário e impasse político como principais entraves.
- Sem a Clarity Act, tokens de camada um como Solana, Avalanche e TON ficaram em limbo jurídico, e fiduciários sob ERISA não podem comparar esses ativos não regulamentados.
- A Câmara aprovou a Clarity Act em julho de 2025 (voto de 294 a 134), mas o Senado ainda não avançou, sugerindo mudança de estrutura de mercado e maior concentração em bitcoin.
- Três fissuras políticas citadas: lançamentos de memes de criptomoedas antes da posse do presidente, ameaças de anexação da Groenlândia e campanha militar do Irã, que consumiram a pauta no Senado.
- Regulação pela fiscalização cria piso de volatilidade imprevisível para instituições, dificultando o dimensionamento de posição e limitando a entrada de capital além de ETFs.
Anthony Scaramucci, fundador da SkyBridge Capital, afirmou que a Clarity Act pode não obter aprovação no Senado até 2029, citando lobby bancário e gridlock político como principais entraves. O texto atual impede que equipes de conformidade apoiem alocações em classes de ativos sem classificação legal.
Segundo o argumento apresentado, acionistas fiduciários sob ERISA ou mandatos semelhantes não podem comparar ativos não regulados sem expor-se a responsabilidades. Sem delimitação de jurisdição entre SEC e CFTC, tokens de layer-1 como Solana, Avalanche e TON ficam em limbo jurídico, removendo-os de listas de ativos aprovados por grandes allocadores.
A Clarity Act ainda não consolidou fronteiras entre reguladores, o que mantém o caminho regulatório para ativos digitais incerto. Com isso, investidores institucionais enfrentam dificuldades para incluir esses ativos em portfólios, mesmo quando compensações de risco estão em jogo.
A previsão de Scaramucci não vê a situação como mero atraso técnico. Ele identifica três fraturas políticas que dificultam a passagem no Senado: lançamentos de moedas digitais antes da posse de Donald Trump, tensões com aliados da OTAN e uma ofensiva militar não anunciada do Irã com alto pedido de defesa, consumindo tempo parlamentar.
Conforme o analista, a oposição ao presidente se transforma em resistência a qualquer vitória regulatória de criptoeconomia, dificultando o avanço de propostas como a Clarity Act. Históricos comparativos sugerem que projetos semelhantes tiveram prazos menores para aprovação.
O atraso é visto como refluxo estrutural: a aprovação de leis como Dodd-Frank e JOBS atuou rapidamente após crises, enquanto a Clarity Act, em discussão desde 2023, passou pela Câmara em 2025 com votação bipartite, mas não avançou no Senado.
A consequência prática é o empobrecimento da diversificação institucional. Sem uma definição clara, a adoção institucional tende a se concentrar em Bitcoin, já com status de commodity via ETFs, deixando outros ativos em desvantagem de entrada no varejo institucional.
Impacto na regulação por fiscalização
A atuação regulatória por meio de fiscalização contínua cria uma base de volatilidade difícil de absorver para ETFs. A imprevisibilidade de ações regulatórias torna difícil estimar tamanhos de posição e planejar carteiras com confiança.
Para o mercado institucional, a ausência de um marco regulatório claro reduz a liquidez de ativos não regulados, limitando o tamanho de investimentos. Mesmo com ETFs de Bitcoin, o espaço para ativos digitais alternativos permanece mais restrito.
Especialistas apontam que o valor do Bitcoin pode se sustentar fora do arcabouço regulatório, mas isso não resolve o desafio operacional de fundos de pensão e veículos soberanos, que precisam de classificação legal. A análise segue neutra sobre cenários futuros.
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