- Crédito híbrido combina crédito bancário e instrumentos do mercado de capitais, buscando reduzir burocracia, custos e prazos na captação de recursos pelas empresas.
- A Multiplike lançou estrutura própria para operar nesse formato, já teve mais de R$ 70 bilhões em crédito concedido e mira R$ 200 bilhões até 2030, integrando securitizadora, FIDCs, gestora de recursos e, agora, instituição financeira.
- A empresa recebeu ratings nacionais da Fitch Ratings: BB (bra) a longo prazo e B (bra) a curto prazo, refletindo integração operacional entre as empresas do grupo.
- O modelo pretende verticalizar operações para controlar etapas como emissão de boletos, gestão de contas, Cédulas de Crédito Bancário e notas comerciais, reduzindo dependência de terceiros.
- O mercado brasileiro tem mostrado expansão, com recordes de ofertas no mercado de capitais em 2025 e crescimento do crédito corporativo a 7,1 trilhões de reais em março de 2026, apoiado por fintechs e plataformas de crédito privado.
O crédito híbrido, uma fusão entre financiamento bancário e mercado de capitais, começa a ganhar espaço no Brasil. A ideia é unir a infraestrutura de empréstimos tradicional com instrumentos como fundos, securitização e títulos privados. A proposta busca reduzir custos, encurtar prazos e simplificar a burocracia.
A Multiplike lançou uma estrutura própria para operar nesse formato combinado. Com mais de duas décadas no crédito estruturado corporativo, a empresa já concedeu mais de R$ 70 bilhões e mira R$ 200 bilhões até 2030. O grupo reúne securitizadora, FIDCs, gestora de recursos e, agora, instituição financeira.
A empresa atende mais de 4 mil companhias e recebeu o rating nacional BB (longo prazo) e B (curto prazo) pela Fitch Ratings. A agência ponderou a integração entre as empresas do grupo como componente do rating, destacando suporte entre as unidades.
O modelo é inédito?
Apesar de grandes bancos já combinarem estruturas de capital e mercado, a novidade é a concentração de etapas em plataformas como a da Multiplike. O CEO Volnei Eyng afirma que, diferentemente de bancos que nasceram no setor financeiro, a Multiplike se formou no mercado de capitais e criou um conglomerado com instituição financeira.
Essa origem permite direcionar cada operação ao veículo mais eficiente, segundo Eyng. Em vez de partir do capital próprio de uma instituição, a empresa analisa a operação e escolhe o caminho adequado para o financiamento.
O que muda na prática
A proposta busca reduzir a fragmentação das operações, verticalizando etapas como emissão de boletos, gestão de contas, CCBs e notas comerciais. O objetivo é diminuir dependências de terceiros e acelerar prazos, com originação, análise, estruturação e funding integrados.
O cenário de mercado ajuda o movimento. Em 2025, o Brasil registrou recorde de ofertas no mercado de capitais, de acordo com a ANBIMA. Já em março de 2026, o crédito às empresas somou R$ 7,1 trilhões, equivalente a 54,9% do PIB, segundo o Banco Central.
O papel das agências e o respaldo regulatório
A Fitch Ratings atribuiu o rating ao grupo, levando em conta as sinergias operacionais e a governança integrada. Eyng diz que o reconhecimento ajuda a mitigar a percepção de risco de um modelo ainda pouco tradicional no sistema financeiro.
O que é uma SCFI
SCFI significa Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento. Assim chamadas financeiras atuam como instituições privadas para financiamento de bens, serviços e capital de giro. Não captam depósitos, posição que as SCFIs dividem com bancos. No caso da Multiplike, a SCFI está na base do crédito híbrido.
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