- Economistas dizem que o próximo governo da Escócia enfrentará decisões de gasto “muito difíceis”, incluindo o peso dos pagamentos ao setor público, após a eleição de 7 de maio.
- O Fraser of Allander Institute afirma que os manifestos não revelaram a real dimensão do desafio, destacando dependência de receitas não recorrentes para sustentar gastos.
- O gasto público na Escócia tem crescido mais rápido que a renda, e a previsão é de um vácuo entre gasto e receita, com o Parlamento Fiscal Escocês estimando que serviços diários deverão subir apenas 1% ao ano nos próximos cinco anos.
- Armadilhas a enfrentar incluem custos de reajuste salarial no setor público, aumentos futuros de saúde e assistência social, e o aumento do bill de seguridade social; o teto de 9% para salários pode precisar ser quebrado no próximo ano.
- As principais promessas dos partidos — SNP, Labour e Conservadores — não aceitaram aumento de imposto de renda; especialistas destacam que o desafio fiscal é macroeconômico, com crescimento lento, população envelhecendo e pressão de gastos.
O próximo governo escocês vai enfrentar decisões orçamentárias difíceis logo após assumir o poder, especialmente para conter o elevado gasto com o setor público. Economistas apontam que o desafio é maior do que as projeções indicam.
A análise do Fraser of Allander Institute (FAI), da Universidade Strathclyde, afirma que os manifestos não revelam plenamente a escala do problema. A diretora do instituto, Mairi Spowage, cita dependência de receitas não recorrentes para financiar gastos elevados.
Segundo o FAI, o gasto público na Escócia avançou 3,9% ao ano em termos reais desde 2019, enquanto a receita subiu 3,6% ao ano. O crescimento ficou abaixo do ritmo do aumento de gastos na Escócia.
Desafios e armadilhas fiscais
O órgão aponta que a Escócia tem enfrentado custos crescentes com pagamento de salários, saúde e assistência social. A estimativa anterior de um hiato de £5 bilhões até o fim da década permanece, mesmo com ajustes anunciados.
O Fundo Fiscal Escocês prevê que os gastos com serviços diários devem crescer apenas 1% ao ano nos próximos cinco anos. Economistas da IFS destacam que planos dos partidos não parecem fiscalmente factíveis.
A ideia de reduzir custos por meio de eficiência e cortes na folha é criticada pela FAI, que sustenta que os encargos salariais são recorrentes e exigem financiamento contínuo. A avaliação é de que o cenário permanece incerto.
Contexto político e perspectiva econômica
Todos os grandes partidos — SNP, Labour e Conservatives — sinalizam que não pretendem aumentar o imposto de renda, ainda que busquem simplificar o sistema quando possível. A visão de longo prazo permanece desafiadora.
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