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Programas sociais ampliados e IR isento devem injetar bilhões na economia

Medidas sociais ampliam poder de compra e crédito, mas elevam pressão sobre inflação e juros em ano eleitoral

Os bilhões que Lula vai injetar na economia em ano eleitoral: programas sociais turbinados e isenção do IR — Foto: Ricardo Stuckert / PR via BBC
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  • Lula sinaliza medidas para o bolso e a economia neste ano eleitoral: isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, redução de alíquota até R$ 7.350 e novos programas socialmente voltados, como Gás do Povo e Luz do Povo, com impacto estimado de cerca de R$ 15,5 bilhões para 2026.
  • Crédito do Trabalhador cresce: linha de crédito consignado usando até 10% do saldo do FGTS como garantia; até 16 de março, foram R$ 26 bilhões em novas operações em 2026, quase a metade do total de 2025. Projeção aponta R$ 134 bilhões em novas operações em 2026.
  • Minha Casa Minha Vida ganha força: orçamento de R$ 180 bilhões em 2025; expansão em 2026 aumenta alcance, com renda atendida passando de R$ 12 mil para R$ 13 mil e valor máximo do imóvel de R$ 500 mil para R$ 600 mil; meta de atingir 3 milhões de contratos até o fim de 2026.
  • Benefícios para famílias de baixa renda: Gás do Povo e Luz do Povo ampliam alcance, com recargas de botijões entre 4 e 6 por ano para famílias atendidas; descontos na conta de energia com cobertura de faixas de renda e consumo.
  • Cenário econômico e político: consumo e crédito ajudam a manter a atividade, com PIB projetado em 1,8% para 2026; porém geram pressão sobre inflação e juros e elevam a dívida pública; polarização política pode reduzir o impacto eleitoral dessas medidas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou programas sociais e elevou a isenção do Imposto de Renda para a classe média, visando aquecer a economia em ano eleitoral. As medidas também buscam reduzir o impacto da alta de combustíveis e da guerra entre EUA e Irã sobre preços.

Entre as ações, está a ampliação de benefícios para os mais pobres por meio do Gás do Povo e do Luz do Povo. Também houve avanço na linha de crédito consignado Crédito do Trabalhador, com uso do saldo do FGTS como garantia para reduzir juros.

A adoção dessas medidas ocorre em meio a uma perspectiva de desaceleração econômica, com projeções do PIB de 1,8% para 2026. Economistas divergem sobre o efeito dessas políticas na inflação e na dívida pública.

Cambistas de tema: IR e crédito

A isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil e a redução para quem recebe até R$ 7.350 passaram a valer em janeiro, com estimativas de reduzir a arrecadação em até R$ 40 bilhões. Beneficiarão cerca de 15 milhões de pessoas.

O Gás do Povo ampliou o atendimento, levando botijões a 15 milhões de famílias em 2026, contra 4,5 milhões em 2025. Já o Luz do Povo deve alcançar 20,9 milhões de residências, com descontos para consumidores de baixa renda.

O Crédito do Trabalhador já gerou R$ 26 bilhões em novos empréstimos até 16 de março de 2026, conforme o Ministério do Trabalho e Emprego. O governo projeta R$ 134 bilhões em novas operações em 2026.

Habitação e crédito ampliado

O Minha Casa Minha Vida recebeu orçamento recorde e segue ampliando contratações. O programa já contratou mais de 1,9 milhão de unidades desde 2023 e terá meta de chegar a 3 milhões até o fim de 2026. O teto de renda e o valor do imóvel financiável foram ajustados.

Na prática, o MCMV passou a atender faixas de renda mais altas e imóveis com valores maiores, ampliando o público beneficiado. O Reforma Casa Brasil também oferece financiamento subsidiado para obras residenciais.

A ARX Investimentos estima que apenas as novas políticas do MCMV movimentarão cerca de R$ 46 bilhões neste ano, com outras ações de crédito público elevando esse total.

Pressão econômica e institucional

Especialistas destacam que o estímulo ao consumo aumenta a inflação e pode manter os juros elevados. A taxa Selic chegou a 15% ao ano em 2025, passando a 14,75% após o último Copom.

A dívida pública cresce com gastos adicionais e juros. Dados do BC apontam alta de 71,7% para 78,7% do PIB entre 2022 e 2024/2025. Economistas ressaltam que o cenário dificulta a alta gastando menos futuro.

Alguns analistas, no entanto, afirmam que a meta de inflação fixa pelo CMN ancora o manejo da dívida, mantendo juros elevados para conter a inflação. O governo sustenta que as medidas ajudam trabalhadores.

Visões sobre votos e polarização

Pesquisadores destacam que políticas sociais podem não se traduzir automaticamente em votos, devido à forte polarização entre os caminhos político e econômico. Pesquisas indicam empate entre Lula e Flávio Bolsonaro em cenários de segundo turno.

O Palácio do Planalto não comentou sobre o objetivo político das medidas. O governo reforça que ações como a isenção de IR beneficiam trabalhadores e reduzem distorções de arrecadação.

Contexto público e orçamento

O Bolsa Família, agora Bolsa Família reformulado, tem manutenção de benefício médio de R$ 600, com 18,7 milhões de famílias atendidas. O governo ainda mantém o Pé de Meia, com orçamento de R$ 12 bilhões, para estudantes de ensino médio em famílias pobres.

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