- A Operação Chargeback aponta fraude global superior a trezentos milhões de euros, com redes criminosas que usavam empresas de pagamento alemãs para processar transações ilícitas.
- Quatro empresas de pagamento alemãs teriam facilitado serviços para clientes de alto risco, incluindo sites de pornografia e namoro, com vínculos a ex-funcionários e ao ex-diretor Marsalek.
- A investigação resultou em mandados de prisão realizados em mais de sessenta locais, com cerca de vinte pessoas presas; Weigand e outros ligados às redes WebOps e FSX são citados.
- A BaFin intensificou a regulação desde 2021; várias empresas, como Payone, Unzer e Worldline, revisaram ou cortaram relações com clientes de alto risco, e controles passaram a ser mais rigorosos.
- As redes norte-americanas WebOps e FSX teriam criado milhões de assinaturas fraudulentas e utilizado cartões roubados; o caso envolve documentos judiciais dos Estados Unidos e cooperação internacional.
A Alemanha enfrenta um escândalo global de fraude envolvendo mais de 300 milhões de euros em transações. A operação Chargeback envolve quatro empresas de pagamento alemãs e redes de fraude que atuavam globalmente, com clientes de alto risco. A investigação começou com prisões nos EUA e buscas na Alemanha, em meio a suspeitas de falhas de compliance.
Pesquisas comandadas pela promotoria de Koblenz apontam que o esquema consistia em fraudar titulares de cartões, criando sites falsos de pornografia e namoro. Empresas de pagamento alemãs teriam processado essas transações ilícitas, recebendo taxas e facilitando o desvio de recursos.
O andamento da investigação começou a ganhar forma em 2020, quando Ruben Weigand, cidadão alemão, foi preso no Aeroporto de Los Angeles. Pouco depois, a Unzer passou a apresentar relatórios de atividades suspeitas a autoridades de lavagem de dinheiro.
No terreno alemão, buscas ocorreram em mais de 60 locais no fim de 2024, resultando na prisão de cerca de 20 pessoas. A operação envolveu redes nos EUA identificadas como WebOps e FSX, acusadas de gerenciar milhões de assinaturas falsas de sites adultos entre 2016 e 2021.
Entre os investigados estão ex-funcionários de Unzer, Wirecard e Concardis, além de executivos ligados a Weigand. Na Alemanha, a investigação foca indivíduos, inclusive figuras ligadas à antiga Wirecard, já em colapso desde 2020.
As autoridades destacam que algumas empresas de pagamento cortaram vínculos com clientes de alto risco após ouvir recomendações regulatórias, ajustando controles de compliance. Investidores passaram a questionar a sustentabilidade do modelo de negócios do setor.
No âmbito regulatório, o BaFin intensificou a supervisão desde 2021, proibindo novas entradas de clientes arriscados e impondo monitoramento a operadores afetados. A Payone, controlada pela Worldline, permanece sob supervisão com medidas de controle reforçadas.
Outros desdobramentos indicam que a WebShield, ferramenta de análise de risco, foi usada para mascarar atividades irregulares. A investigação continua em andamento, com autoridades alemãs e estrangeiras colaborando para mapear redes e responsabilidades.
A Worldline, a Nexi e a Unzer disseram revisar estruturas de compliance e reduziram operações com clientes de maior risco. A Wirecard, já extinta, figura como referência histórica do desafio regulatório no ecossistema de pagamentos alemão.
As investigações apontam para uma integração entre redes norte-americanas de fraude e empresas de pagamento na Europa, destacando a necessidade de fortalecimento de controles para evitar novas falhas de compliance. Bloomberg News acompanha o caso.
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