- A alta do petróleo tende a puxar a inflação, com projeções do Focus subindo de 4,17% para 4,31% e previsão próxima ao teto da meta (4,5% de tolerância).
- O aumento dos combustíveis eleva o custo do transporte rodoviário, encarece a distribuição de alimentos e de produtos industriais, com parte do reajuste indo para o consumidor.
- Uma elevação de 10% no petróleo poderia acrescentar entre 0,2 e 0,4 ponto percentual ao IPCA; alta de 50% nos combustíveis poderia adicionar entre 1,5 e 3 pontos percentuais.
- No curto prazo, o querosene de aviação subiu cerca de 55% e pode pressionar as passagens, além de afetar turismo e custos de serviços.
- Especialistas alertam que o choque pode gerar efeitos de segunda ordem, limitando o espaço para cortes de juros pelo Banco Central e exigindo vigilância sobre a inflação de serviços e o poder de compra.
Na inflação brasileira, a alta do petróleo pode pesar de forma ampla e persistente. A disparada é associada ao conflito entre EUA, Israel e Irã, com reflexos esperados no IPCA de abril. Especialistas afirmam que o petróleo contamina toda a cadeia de preços, não apenas combustíveis.
O efeito inicial aparece nos combustíveis, elevando gasolina e diesel. Com o diesel mais caro, o custo do transporte rodoviário aumenta, encarecendo a distribuição de alimentos, bens industriais e serviços. Parte do reajuste fica para o consumidor final.
Estimativas do mercado e do Banco Central indicam que 10% de alta no petróleo pode acrescentar 0,2 a 0,4 ponto ao IPCA. Se gasolina e diesel subirem 50%, o impacto pode chegar a 1,5 a 3 pontos percentuais.
Aviação: custo do combustível elevando índices
O querosene de aviação, que representa 30% a 40% dos custos das companhias, já teve reajuste em abril. A Petrobras elevou o preço médio do QAV em cerca de 55% para as distribuidoras, com expectativa de repasse às passagens nas próximas semanas.
Especialistas apontam que o efeito já aparece, mesmo que de forma gradual, no IPCA-15. A passagem de custos para tarifas aéreas pode estimular o turismo e, indiretamente, pressionar serviços. A sensibilidade dos combustíveis pesa no cenário inflacionário.
Perspectivas para política monetária
Analistas destacam riscos de efeitos de segunda ordem, em que o aumento do petróleo encarece transporte e, por consequência, toda a cadeia de preços. O Comitê de Política Monetária pode manter cautela e reduzir espaço para cortes de juros no curto prazo.
Dirigentes de investimento ressaltam que a inflação elevada restringe manobra do Banco Central. O controle do preço de combustíveis passa a ser fator central para a trajetória da política monetária. A economia amplia a vigilância sobre o poder de compra da população.
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