- O governo federal afirma que o resgate do Banco de Brasília não é cenário base e ocorreria apenas se houvesse risco sistêmico, condicionado a concessões do governo do Distrito Federal.
- O DF precisaria aceitar contrapartidas, como ajustar regras do fundo constitucional que transfere recursos federais, que deve desembolsar cerca de R$ 30 bilhões neste ano.
- O BRB convocou assembleia extraordinária para 22 de abril para votar aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões, com expectativa de concluir a capitalização até 30 de maio.
- O plano prevê apoio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de até R$ 4 bilhões e uso de um fundo imobiliário com imóveis do DF para levantar recursos equivalentes.
- O governo vê custo político em qualquer ajuda; o rombo do BRB decorre de carteiras adquiridas do Master, com perdas estimadas em cerca de R$ 2,6 bilhões.
O governo federal avalia um possível resgate ao Banco de Brasília (BRB) apenas se houver risco sistêmico e se o Distrito Federal aceitar contrapartidas, conforme apuração da Bloomberg News. O cenário não é a base, mas pode avançar diante de decisões regionais.
A instituição tem enfrentado impactos pelos negócios com o Banco Master, que quebrou em novembro. O BRB busca capitalização para recompor o balanço e manter ativos, com o apoio de bancos estatais em eventuais operações de compra. O governo federal sinaliza restrições e negociações com o DF.
Oficiais do governo Lula admitem condicionantes caso haja assistência. Entre elas, ajuste nas regras do fundo constitucional que transfere recursos do governo federal ao DF, que deve repassar cerca de R$ 30 bilhões neste ano. Haddad já havia tentado revisar essa fórmula.
Situação financeira do BRB
O BRB convocou uma assembleia extraordinária para 22 de abril, visando aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões, com conclusão prevista até 30 de maio. O banco avalia usar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para contrapartidas, estimando R$ 4 bilhões, além de um fundo imobiliário com imóveis do DF.
A instituição também estuda vender participações de empresas do conglomerado e parte de carteiras herdadas do Master. Dados internos indicam que o BRB recebeu cerca de R$ 21,9 bilhões em carteiras do Master, sendo aproximadamente R$ 15 bilhões de boa qualidade e cerca de R$ 2,6 bilhões passíveis de perdas.
Contatos com órgãos federais
O Ministério da Fazenda orientou bancos federais a não resgatar o BRB e a avaliar compras de carteiras com critérios de bancos privados. A Caixa analisou às carteiras de crédito consignado, considerado saudável, mas não houve envio de documentos pelo BRB. O Banco do Brasil não examinou ativos do BRB, segundo fontes envolvidas.
Contexto político e cenários
A avaliação de um possível resgate é politicamente sensível, pois significaria enfrentar um problema não criado pelo atual governo. A depender das condições, a ajuda poderia impor custos políticos ao governo Lula e impactar a campanha de reeleição.
O tema é explorado como uma atribuição de responsabilidade entre governos, com o discurso público apontando críticas à gestão anterior. Lula comentou, em evento de Haddad, que questões ligadas ao Master foram associadas a gestões anteriores, sem implicar diretamente Bolsonaro ou Campos Neto.
O rombo atual vem das carteiras de crédito adquiridas do Master a partir de 2024, totalizando ativos avaliados como fraudulentos. O BRB substituiu grande parte desses ativos por outros do Master, com menor liquidez, elevando a necessidade de reforço de capital.
Entre na conversa da comunidade