- Michael O’Leary afirma que o Reino Unido é o país europeu mais vulnerável a eventuais shortages de combustível para jatos, por depender de Kuwait, que corresponde a cerca de 25% do abastecimento, em meio à guerra no Irã.
- Mesmo com possível excesso de combustível no Oriente Médio, o transporte para a Europa ainda pode atrasar ou não ocorrer, segundo o executivo.
- O preço do combustível jet aumentou globalmente, com a média da semana em $195 por barril, pressionada pelo fechamento do estreito de Hormuz; houve recuo momentâneo após comentários de líderes.
- A Ryanair informou ter protegido 80% de seus custos com combustível até março do próximo ano, a $67 por barril; porém o risco de interrupção no fornecimento até junho a julho pode levar a cancelamentos ou redução de capacidade.
- O executivo defende a abolição do imposto de passagem aérea (APD) no Reino Unido, sinalizando que a alta tributação torna o país menos competitivo; a companhia aponta que 29 aeronaves foram incorporadas neste verão, mas apenas uma chegou a Londres.
A Grã-Bretanha é apontada como o país europeu mais vulnerável a eventual escassez de combustível para jatos, em função do atual conflito no Irã que tem pressionado os fornecimentos no Golfo. A avaliação é feita por Michael O’Leary, CEO da Ryanair, que destaca a dependência britânica de Kuwait para cerca de um quarto do abastecimento local.
O executivo explica que, embora haja potencial de excedente de combustível A-1 na região, o deslocamento até a Europa permanece incerto. Segundo ele, o ritmo de envio até o continente pode sofrer atrasos ou interrupções, agravando o risco de desabastecimento para as companhias aéreas.
Globalmente, companhias aéreas têm cancelado voos em meio ao aumento dos preços do combustível derivado do petróleo, elevando a atenção sobre a cadeia de suprimentos. Dados da IATA indicam que o valor do combustível atingiu cerca de US$ 195 por barril na semana passada, mais que o dobro do registrado no ano anterior.
No posicionamento da Ryanair, o custo de combustível tem sido parcialmente coberto mediante hedge para cerca de 80% das despesas até março do próximo ano, a US$ 67 por barril. Ainda assim, a gestão aponta risco de interrupção de fornecimento caso o conflito persista.
Para a companhia, o desafio não é apenas o preço, mas a garantia de abastecimento. O’Leary afirma que não há garantias de continuidade do fornecimento até junho, julho ou agosto, o que pode levar a cancelamentos de voos ou redução de capacidade caso haja falhas na entrega.
O executivo também aponta impactos no preço ao consumidor, embora a Ryanair não tenha planos de elevar tarifas de imediato. O contexto de demanda desigual entre países europeus, com preferência por viagens curtas e deslocamento de demanda para a Europa continental, pode influenciar a precificação.
A Ryanair Pede ações governamentais e incentivos também foram mencionados. A empresa solicita ao governo do Reino Unido a implementação de medidas como a revogação do imposto sobre passageiros aéreos (APD), que subiu recentemente. A Ryanair sustenta que a cobrança eleva o custo de voos domésticos e afeta a competitividade.
A companhia informou ter adquirido 29 novas aeronaves neste verão, com apenas uma operação prevista para Londres. O grupo, com sede em Swords, na Irlanda, é descrito como o maior transportador da Europa e emprega mais de 26 mil pessoas globalmente.
Contexto atual
- O conflito no Irã contribuiu para aumento dos preços do combustível e maior volatilidade de fornecimentos.
- A produção mundial de petróleo continua sujeita a restrições em vias estratégicas, como o estreito de Hormuz.
- A indústria acredita que medidas regulatórias e padrões de abastecimento influenciam o cenário de tarifas e disponibilidade de voos.
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