- Contratos de operação de crédito entre o Master e a Tirreno tiveram firma reconhecida dois dias antes de serem apresentados ao BRB, segundo relatório interno do banco.
- As carteiras da Tirreno foram adquiridas pelo Master por R$ 6,3 bilhões e repassadas ao BRB por R$ 11,5 bilhões.
- Investigações da Polícia Federal apontam que os ativos não possuíam lastro e eram podres.
- A operação foi barrada pelo Banco Central, que liquidou o Banco Master na mesma data em que prendeu Daniel Vorcaro.
- Em maio de 2025, o Master enviou ao BRB 26 contratos de cessão com a Tirreno; o reconhecimento de firma ocorreu em 13 de maio, dois dias antes da reunião marcada com o BRB.
O Banco Regional de Brasília (BRB) concluiu um relatório interno sobre contratos de operação de crédito envolvendo Master, Tirreno e o BRB. Segundo o documento, a assinatura reconhecida de alguns papéis ocorreu dois dias antes do repasse ao BRB.
Conforme o levantamento, carteiras de crédito consignado da Tirreno foram adquiridas pelo Master por 6,3 bilhões de reais e repassadas ao BRB por 11,5 bilhões. Investigações da Polícia Federal apontam que os ativos não possuíam lastro ou garantias.
O relatório também aponta que o BRB recebeu os contratos apenas após uma semana de contato entre as partes, incluindo uma reunião marcada para maio, cuja participação foi prejudicada pela ausência de representantes da Tirreno. A operação aconteceu em meio a disputas entre as instituições.
Dados da operação e etapas-chave
O documento revela que, em 5 de maio, o Master enviou ao BRB uma pasta com contratos com a Tirreno. No dia seguinte, o BRB solicitou cópias registradas em cartório e agendamento de reunião para 9 de maio.
A reunião ocorreu, mas sem presença da Tirreno. Em 15 de maio, o Master entregou ao BRB uma pasta com 26 contratos de cessão entre Master e Tirreno, já com assinatura manual. O reconhecimento de firma ocorreu em 13 de maio, dois dias antes da reunião.
O parecer do BRB ressalta a rapidez das cessões: créditos adquiridos pelo Master seriam repassados ao BRB no dia útil seguinte. A velocidade é apresentada como fator de preocupação quanto à conformidade documental e à transferência de risco.
Contexto e lacunas verificadas
A PF investiga possível falta de lastro e de fundos para honrar títulos emitidos pelo Master, levando à aquisição de crédito podre da Tirreno para venda ao BRB. O BRB aponta ainda que o volume total de créditos comprados seria de 12 bilhões de reais.
A investigação também aponta que, em várias reuniões, o Master apresentava a Tirreno como originária dos créditos cedidos ao BRB. Nota-se que a descoberta ocorreu apenas após visita técnica realizada no fim de abril de 2025.
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