- Dozens de palhaços protestaram em La Paz contra um decreto que restringe atividades extracurriculares em escolas.
- O texto estabelece 200 dias de aula por ano, o que, na prática, proíbe eventos especiais em que palhaços costumam ser contratados.
- O ato ocorreu em frente ao Ministério da Educação; o decreto foi publicado em fevereiro pelo governo do presidente Rodrigo Paz.
- Autoridades disseram que irão considerar as críticas para o decreto que valerá no ano letivo de 2027; celebrações podem ocorrer apenas aos fins de semana de forma opcional.
- Grupos de palhaços, fotógrafos e costureiras afirmam que a medida reduzirá a renda, em meio à crise econômica que afeta a Bolívia; o Dia das Crianças, celebrado em 12 de abril, fica em risco.
Duas dezenas de palhaços conduziram uma manifestação nesta segunda-feira em La Paz, Bolívia, para contestar um decreto governamental que restringe atividades extracurriculares nas escolas. A passeata percorreu vias centrais da capital, diante do Ministério da Educação, denunciando impactos sobre sua renda.
O decreto, publicado em fevereiro, exige 200 dias letivos por ano e, na prática, inviabiliza eventos especiais em que os artistas costumam atuar durante as pausas escolares. A medida permite apenas celebrações em fins de semana, limitando apresentações durante o currículo escolar.
Líderes do setor afirmam que a mudança pode reduzir a renda de trabalhadores ligados a festas infantis em escolas, como palhaços, fotógrafos e produtores de roupas para fantasias. O protesto contou com integrantes de sindicatos e associações ligadas às artes performativas.
Protesto e reivindicações
Wilder Ramírez, conhecido como Zapallito, é porta-voz da união local de palhaços. Ele disse que “as crianças precisam rir” e que o decreto afeta a subsistência de profissionais que trabalham com educação informal. Os manifestantes pedem negociação com o Ministério da Educação para 2027.
Elías Gutiérrez, porta-voz da Confederação de Trabalhadores Artesanais da Bolívia, afirmou que a medida agrava a crise econômica regional, já marcada pela queda na receita de gás natural e pela escassez de dólares. Ele ressalta que o setor cultural é parte da informalidade econômica.
Além dos palhaços, o protesto reuniu costureiras que produzem roupas para festas, fotógrafos de celebrações escolares e outros operadores ligados a eventos. O grupo marchou com apitos, faíscas de artifício simuladas e painéis com mensagens contra o decreto.
Panorama econômico e próximos passos
Autoridades disseram que críticas serão consideradas ao formular o decreto para o ano letivo de 2027. O governo de Rodrigo Paz, presidente eleito, sustenta que a medida busca cumprir a carga horária escolar e manter o foco no ensino. O impacto sobre o setor cultural ainda não tem avaliação final.
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