- O Fundo Monetário Internacional alerta que o conflito no Oriente Médio pode provocar alta de preços e crescimento global mais lento, caso siga reduzindo o fluxo de petróleo, gás e fertilizantes saindo da região.
- A situação pode elevar custos de energia e alimentação em todo o mundo, afetando economias e mantendo inflação pressionada.
- Países com alto nível de endividamento podem enfrentar menor acesso a recursos para mitigar os efeitos da crise.
- Mesmo com alguns ganhos para exportadores líquidos de energia, como os Estados Unidos, o conjunto da taxa de consumo deve piorar o padrão de vida e pressionar bancos centrais a subir juros.
- Projeções da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura indicam ganho de 15% a 20% nos preços globais de fertilizantes no primeiro semestre de 2026 se o conflito continuar; o preço do petróleo chegou a subir acima de US$ 116 por barril antes de recuar.
O Fundo Monetário Internacional (IMF) afirmou que, se o conflito no Oriente Médio continuar reduzindo o abastecimento de petróleo, gás e fertilizantes, haverá aumento de preços e desaceleração do crescimento global. A conclusão foi publicada pelo IMF em blogpost produzido por dirigentes da instituição.
O texto destaca que governos com alto nível de endividamento terão espaço menor para agir diante da crise, o que pode limitar as medidas de mitigação para famílias e empresas. O IMF estima que, mesmo em cenários variados, o resultado apontado é maior inflação e menor crescimento mundial.
Além disso, a instituição aponta impactos para o custo de energia e de alimentos em todo o mundo, com efeitos que podem se refletir em pressões sobre preços ao consumidor e políticas monetárias. A mensagem reforça que o tempo de duração do conflito molda a magnitude dos efeitos.
Efeitos setoriais e regionais
O relatório mostra que países exportadores líquidos de energia, como os EUA, podem ganhar com preços mais altos, mas o encargo para combustíveis e alimentos tende a reduzir o padrão de vida global. Empresas podem repassar custos, elevando a inflação e pressionando bancos centrais.
A IMF informa que um conflito curto pode levar a um aumento rápido de preços de petróleo e gás, seguidos de ajuste de mercados, enquanto um conflito longo pode manter custos elevados e comprometer importadores. O cenário intermediário também é citado como possibilidade.
O texto enfatiza incerteza e riscos geopolíticos, destacando que a duração, a ampliação geográfica e os danos a infraestrutura e cadeias de suprimento influenciarão o resultado econômico. Em histórico, picos sustentados de preços costumam elevar a inflação e frear o crescimento.
Impactos na Europa e no uso de energia
Quase um terço da produção de fertilizantes transita pelo estreito de Hormuz, o que pressiona preços globais. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura projeta alta global de 15% a 20% nos preços na primeira metade de 2026, caso a crise persista.
Os preços do gás natural registram alta expressiva na Europa, com impactos previstos para o próximo inverno, levando governos a considerar subsídios adicionais e ayudas a famílias mais vulneráveis. A Europa enfrenta choques diferentes, dependendo de sua matriz energética.
A IMF acrescenta que na Europa o choque reaviva riscos de crises passadas de gás, com regiões dependententes do gás natural lidando com maior vulnerabilidade, enquanto países com maior presença de nuclear e renováveis ficam relativamente mais protegidos.
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