- A Neumann Kaffee Gruppe (NKG) administra cerca de um em cada oito grãos de café consumidos globalmente e, no último ano, precisou repensar operações devido à alta dos preços, reduzindo estoques em cerca de 70% e recusando negócios antes aceitos.
- O aumento dos futuros de café gerou turbulência, levando a fortes chamadas de margem, uso elevado de linhas de crédito e necessidade de ajustar volumes e parcerias comerciais.
- Em novembro, a NKG garantiu linha de crédito rotativa sindicalizada de US$ 1,1 bilhão para reforçar liquidez, com expectativa de recuperação de volumes em 2026.
- A empresa permanece cautelosa frente a conflitos geopolíticos, insegurança de abastecimento e volatilidade de preços, que afetam logística, financiamento e margens de lucro.
- Observa-se que rivais, como Louis Dreyfus, ganharam participação durante o recuo da NKG, enquanto a gestão foca em rotatividade de estoques e recuperação gradual do negócio.
A Neumann Kaffee Gruppe (NKG), conglomerado alemão que opera como a maior rede de comércio de café, ajustou suas operações diante da alta volátil dos preços da commodity no último ano. A empresa reduziu estoques em cerca de 70% e recusou negócios que anteriormente aceitava, buscando preservar liquidez.
Com sede em Hamburgo, a NKG controla aproximadamente 1 em cada 8 grãos consumidos globalmente, abastecendo desde supermercados a cafeterias de grandes cidades como Nova York, Xangai e Roma. O grupo raramente fala publicamente e não possui marca voltada ao consumidor.
O ano passado foi marcado por fortes oscilações de preço, com futuros do café subindo mais que o dobro da média histórica, o que pressionou linhas de crédito e elevou margens de chamada. A volatilidade impactou o suprimento e elevou custos para torrefadores.
O líder da terceira geração, David Neumann, afirmou que o mercado está tomado por imponderáveis como tensões geopolíticas e confinamento de oferta. Ele aponta que o risco logístico global aumenta a complexidade de prever cenários e respostas.
Como resultado, a NKG adotou uma postura mais conservadora e admite que pode deixar de ser a líder em volume negociado. A companhia endureceu controles de risco e busca equilibrar margens com rotatividade de estoques.
Caminho para a recuperação
Em novembro, a NKG garantiu uma linha de crédito rotativo de US$ 1,1 bilhão para sustentar a liquidez diante da volatilidade. A empresa espera recuperação de volumes de negociação em 2026, sem acreditar que o volume por si só seja indicador suficiente de sucesso.
Neumann ressaltou que o valor é o diferencial real entre tipos de café, destacando a diferença entre uma saca de robusta simples e uma de arábica lavada de alta qualidade. O CFO passou a desempenhar um papel central na gestão de recursos.
A empresa deve continuar lidando com choques climáticos, alterações tarifárias dos EUA e incerteza regulatória na Europa, onde medidas de combate ao desmatamento estão em pauta. A Suprema Corte dos EUA derrubou parte de tarifas associadas ao governo anterior, ampliando a incerteza de mercado.
O mercado de café permanece sob pressão, com estoques ainda baixos mesmo após recuo recente dos preços. A NKG afirma que a volatilidade deve persistir enquanto fatores geopolíticos, logísticos e climáticos trabalharem para estabilizar a oferta global.
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