- A On, marca suíça de tênis associada a Roger Federer, recebeu autorização para usar a cruz suíça em modelos vendidos na Suíça, mesmo com fabricação na Ásia.
- A mudança vem do Instituto Federal Suíço de Propriedade Intelectual (IPI), que divulgou a decisão em meados de março para permitir que operações desenvolvidas na Suíça recebam o selo.
- A norma passa a autorizar marcas com engenharia suíça a ostentar a cruz, mesmo que parte da produção ocorra no exterior, desde que haja etapas relevantes no país.
- A decisão alimenta o debate sobre o que é feito na Suíça, especialmente no setor de luxo, e pode enfrentar questionamentos judiciais.
- A On celebra a alteração; a empresa tem valor estimado em cerca de US$ 11 bilhões, com Federer entre seus investidores desde 2019.
A On, marca suíça de tênis, recebeu autorização para exibir a cruz da Suíça em seus modelos vendidos na Suíça, mesmo com produção realizada na Ásia. A mudança facilita que o selo Swiss Made seja associado a processos de engenharia desenvolvidos no país, não apenas à fabricação. Roger Federer figura entre os investidores da empresa.
A nova prática foi anunciada pelo Instituto Federal Suíço de Propriedade Intelectual (IPI) em março. A instituição afirma que operações como a engenharia suíça podem receber o selo, desde que haja valor agregado e participação de desenvolvimento na Suíça. A regra continua ligada ao conceito de Swissness.
Segundo a visão do IPI, a alteração não altera a lei, apenas a aplicação das regras. Empresas que mantêm pesquisa, desenvolvimento e design no país podem agora marcar a cruz suíça, ainda que a produção ocorra no exterior. A mudança atende à pressão por manter P&D no território.
A On, cujos tênis estouram entre profissionais de tecnologia e finanças, tornou-se exemplo de sucesso da engenharia suíça. Fundada em 2010, a empresa expandiu para Europa e EUA e virou referência em inovação de solas tubulares.
Em 2019, Federer investiu cerca de US$ 50 milhões na On. Hoje, a companhia é avaliada em torno de US$ 11 bilhões. A participação do ex-tenista também reforça o status dele como empreendedor associado à marca.
O anúncio da mudança coincidiu com debates sobre o que realmente significa Made in Switzerland. Alguns especialistas destacam que o símbolo tem peso na imagem de qualidade, independentemente da origem exata de cada etapa de produção.
Desdobramentos e reações
O regulador indica que a mudança pode incentivar inovação local, sem exigir que toda a cadeia fique no país. Ainda assim, há resistência de algumas empresas que temem desvalorização do selo. O tema segue sob avaliação de tribunais e de indústria.
Alguns players avaliam recorrer à Justiça caso a interpretação seja questionada. A Kuenzli SwissSchuh, fabricante de calçados, manifestou preocupação de que o novo regime afaste o foco do Swiss Made. A empresa atua com produção na Albânia e Portugal.
O debate sobre Swissness permanece relevante para relojoaria e outras indústrias de luxo. Profissionais e marcas ponderam o equilíbrio entre tradição e operações globais, mantendo o selo como referência de qualidade e origem.
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