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Gigantes colombianas Vélez e Nutresa planejam dominar mercado venezuelano

Com a recuperação econômica da Venezuela, Vélez, Mario Hernández e Nutresa ampliam presença, mirando mercado venezuelano e abastecimento regional

Gabriel Gilinski, da Nutresa que domina o mercado de chocolates da Colômbia (Foto: Esteban Vanegas/Bloomberg)
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  • Em 2025, mais de 1.180 empresas colombianas mantiveram relações comerciais com a Venezuela, o que representa crescimento de 84% desde 2020 e média anual de cerca de 13%; o comércio bilateral chegou a US$ 1,17 bilhão.
  • Vélez passou a operar na Venezuela em dezembro por meio de franquias, com duas lojas hoje e plano de chegar a quatro ainda neste ano; Mario Hernández mantém 18 lojas e 150 empregos, apesar da queda nas vendas.
  • Cementos Argos afirma ver potencial na Venezuela, mas diz que qualquer retomada depende de segurança jurídica estável, regras claras e reconhecimento de ativos expropriados; a empresa atua hoje por meio de terceiros.
  • Nutresa expressou interesse no mercado venezuelano; a Bloomberg News informou compra recente de cerca de US$ 0,5 milhão para repatriação de lucros, com fábrica operando a 60% da capacidade, pronta para ampliar.
  • A Câmara Colombo-Venezuelana projeta comércio bilateral de US$ 1,6 bilhão em 2026, com oportunidades em petróleo, gás, energia, mineração e logística terrestre, que representa grande parte das transações.

No cenário de retomada econômica da Venezuela, empresas colombianas miram oportunidades em têxteis, como Vélez e Mario Hernández, e em alimentos, com Nutresa. Em 2025, mais de 1.180 companhias colombianas mantiveram relações comerciais com a Venezuela, alta de 84% frente a 2020.

A presença de Vélez na Venezuela começou em dezembro, por meio de franquias, com duas lojas existentes e planos de chegar a quatro ainda neste ano. Mario Hernández mantém atuação estável há 25 anos, com 18 lojas e 150 empregos, mesmo diante de vendas em queda.

Para o setor têxtil, a retomada do consumo e um fluxo de caixa maior ajudam a vislumbrar expansão conforme as condições econômicas e políticas se consolidem. O gerente geral da Vélez afirma que o ritmo de crescimento depende do cenário macro e que novas aberturas podem acelerar o processo.

Setor industrial e perspectivas

No segmento industrial, Cementos Argos aponta que operações dependem de segurança jurídica e regras estáveis. O presidente da empresa ressalta que a fábrica foi expropriada em 2006 e não houve indenização até hoje, influenciando futuras decisões de investimento.

A Argos mantém atuação por meio de terceiros e adota uma postura prudente. Quando houver ambiente propício, a empresa considera contribuir para o desenvolvimento da Venezuela com projetos de infraestrutura e construção.

O comércio bilateral entre Colômbia e Venezuela atingiu US$ 1,17 bilhão em 2025, segundo a Câmara Colombo-Venezuelana. A entidade projeta crescimento contínuo neste ano, com participação ampliada de pequenas e médias empresas, que respondem por mais de 90% do tecido produtivo colombiano.

Oportunidades setoriais

A Câmara aponta oportunidades em petróleo, gás, energia e mineração, provocadas pela aprovação de mudanças na hydrocarbonetos na Venezuela. A expectativa é de transações sob condições jurídicas claras com a estatal PDVSA, abrindo espaço para toda a cadeia de valor.

A logística terrestre permanece como vetor estratégico, já que cerca de 86% do intercâmbio entre os dois países ocorre por via rodoviária. Setores têxtil, infraestrutura, saúde e farmacêutico mostram demanda estrutural a ser atendida por empresas colombianas.

O Grupo Nutresa já manifestou interesse em expandir no mercado venezuelano, com produção local baseada em marcas conhecidas. A companhia sinaliza capacidade de aumentar rapidamente a oferta, aproveitando fábricas que operam com cerca de 60% da capacidade.

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