- A Coinbase voltou a recusar apoio ao Digital Asset Market Clarity Act, comunicando ao Senado que não pode apoiar o texto mais recente do projeto.
- O novo rascunho, liderado pela senadora Angela Alsobrooks e pelo senador Thom Tillis, proibiria pagamentos de yield de stablecoins em exchanges e restringiria o acesso a dados de tamanho de transação usados para calcular recompensas.
- A Coinbase registrou US$ 1,35 bilhão de receita estável em 2025, em grande parte devido a pagamentos de distribuição de USDC decorrentes da parceria com a Circle.
- A eliminação do yield de stablecoins poderia representar cerca de US$ 800 milhões em receita anual para a empresa, impactando seu modelo financeiro da distribuição do USDC.
- As negociações com bancos continuam sem um acordo duradouro, e o cenário regulatório permanece fragmentado, com movidas proeminentes de várias agências.
Coinbase refutou novamente apoiar o Digital Asset Market Clarity Act, informando ao Senado nesta semana que não pode endossar o texto mais recente, elaborado para responder às objeções do setor bancário sobre rendimento de stablecoins. A versão revisada, circulada na segunda-feira e liderada pelos senadores Thom Tillis e Angela Alsobrooks, proíbe pagamentos de yield em stablecoins por bolsas e restringe o acesso a dados de tamanho de transação para dificultar cálculos de recompensas.
Para a Coinbase, isso não é apenas uma objeção procedimental. A empresa reportou 1,35 bilhão de dólares em receita com stablecoins em 2025, grande parte proveniente de pagamentos de distribuição do USDC em parceria com a Circle. A linha de rendimento é, portanto, vista como estratégica para o modelo de negócios.
O objetivo do texto revisado é alterar a infraestrutura que viabiliza os rendimentos de stablecoins, não apenas limitar yield. Ao restringir o acesso a dados de tamanho de transação, fica inviável o cálculo de recompensas baseadas em volume. Sem dados, não há mecanismo para esse modelo.
Mudança significativa de tema
O núcleo da proposta não é apenas limitar rendimentos. A nova versão ataca diretamente a base tecnológica que sustenta esse rendimento, o que, segundo especialistas, pode inviabilizar o funcionamento de programas de recompensa. A discussão envolve a banca e a indústria, com lobby ativo para moldar o texto.
Coinbase tem atuado desde janeiro, quando o CEO Brian Armstrong informou redes sociais sobre a percepção de que o texto seria pior que o status regulatório atual. Em meio a isso, uma sessão fechada, convocada pelo governo, entre empresas de criptomoedas e representantes do setor bancário, não resultou em acordo.
A versão atual foi tentativa de conciliar interesses, mas fontes citadas indicam que a Coinbase continua inalterada em sua posição. Sessões periódicas, ainda sem um acordo estável, mostram um espaço regulatório fragmentado nos EUA, com diferentes órgãos avançando em diretrizes distintas.
Implicações de mercado e cenário regulatório
A diferenciação entre o que os bancos aceitam e o que as empresas de cripto assinam segue sem resolução. O movimento paralelo da CFTC, com o objetivo de criar uma task force de inovação em cripto, evidencia uma arquitetura regulatória ainda dispersa.
O desempenho financeiro da Coinbase, caso as regras cortem rendimentos de stablecoins, pode sofrer impacto significativo. Estima-se que a eliminação de yield reduziria em cerca de 800 milhões de dólares a receita anual da empresa, afetando o acordo de distribuição do USDC com a Circle.
Armstrong mantém atuação ativa em negociações com bancos comunitários para avaliar concessões de yield. A estratégia de manter suporte ou não ao projeto busca influenciar o texto final. A leitura de mercado aponta que cada rodada de concessões tem afinado mais a proposta, sem abrir espaço para o que a Coinbase considera aceitável.
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