- Coinbase e Better Home & Finance lançaram o primeiro empréstimo conforming com garantia cripto nos Estados Unidos, permitindo usar Bitcoin ou USDC como collateral para financiamento apoiado pela Fannie Mae.
- O mecanismo aplica haircut: Bitcoin vale 40% do preço de mercado e USDC vale 80%; por exemplo, 100 mil dólares em BTC geram 40 mil dólares em crédito de entrada.
- O empréstimo combina uma hipoteca conforming da Fannie Mae com uma segunda hipoteca para a entrada, tendo os ativos cripto mantidos em custódia pela Coinbase; o título não é transferido ao borrower.
- Elegibilidade limitada a ativos mantidos em exchanges regulamentadas nos EUA com AML e histórico documental de pelo menos 60 dias; carteiras frias, DeFi e staking não são elegíveis.
- A iniciativa surgiu da diretiva da directora da FHFA, realizada em 25 de junho de 2025; a fase 1 está sendo revista e a fase 2 deve chegar em 6 a 12 meses, com Newrez lançando programa paralelo.
Coinbase e Better Home & Finance lançaram a primeira hipoteca conformante com lastro em criptomoedas nos Estados Unidos, permitindo que tomadores usem Bitcoin ou USDC como garantia em um financiamento apoiado pela Fannie Mae, sem liquidar as posições. O anúncio sinaliza a entrada de ativos digitais no núcleo do mercado de crédito imobiliário.
O produto integra o mercado de financiamentos residenciais de aproximadamente US$ 12 trilhões, operando como instrumento conformante apoiado pela infraestrutura federal que sustenta grande parte das aquisições de moradias no país. A estrutura busca abranger o mesmo arcabouço regulatório das hipotecas tradicionais.
A operação envolve um desconto específico: BTC vale 40% do preço de mercado e USDC, 80%. Com Bitcoin, um investidor que compromete US$ 100 mil teria créditos de até US$ 40 mil para entrada. Em USDC, seriam até US$ 80 mil, porém com necessidade de supercolateralização.
Como funciona o empréstimo
O modelo usa dois instrumentos: uma hipoteca conformante apoiada pela Fannie Mae e uma segunda hipoteca cobrindo a entrada, ambas garantidas pelo collateral de criptomoedas. A Coinbase mantém os ativos em custódia; o título não é transferido, apenas oneroso para o empréstimo.
A “haircut” define as limitações: o valor de BTC para gerar US$ 80 mil de crédito corresponde a US$ 200 mil em BTC. Já USDC, com 80%, oferece maior eficiência de capital, mas exige reserva de capital significativa.
Regras e alcance
A estrutura segue o framework de volatilidade da Fannie Mae, que visa absorver oscilações do ativo sem liquidar tomadores. Não há chamadas de margem, e o collateral só pode ser acionado após 60 dias de inadimplência, alinhando-se a prazos de retomação de crédito.
Para ser elegível, o ativo precisa estar em bolsa regulada nos EUA, com AML completo e histórico documentado de pelo menos 60 dias. Carteiras frias, posições em DeFi e ativos em staking são excluídos. O desenho restringe o alcance por compatibilidade com o programa conformante.
Contexto regulatório e próximos passos
A iniciativa tem origem em directive de 25 de junho de 2025, do Diretor da FHFA, Bill Pulte, para que a Fannie Mae e a Freddie Mac desenvolvam diretrizes de underwriting para ativos digitais. A Fase 1 abrange tratamento de volatilidade e padrões de documentação e está em avaliação pela FHFA, com previsão de 6 a 12 meses até a Fase 2.
Entre na conversa da comunidade