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Galípolo critica juros do rotativo do cartão e defende alternativas

Gabriel Galípolo critica juros do rotativo do cartão, aponta custo acima de 424,5% ao ano e defende alternativas para reduzir o endividamento de 101 milhões de clientes

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Foto: Raphael Ribeiro/ Banco Central
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  • Galípolo disse que as taxas do rotativo do cartão de crédito são punitivas e defendeu discutir alternativas estruturais; o juro chega a 424,5% ao ano.
  • Existem 101 milhões de clientes de cartão de crédito no Brasil; a maioria paga taxas acima de 100% ao ano em linhas de crédito emergenciais.
  • O acesso ao consignado é de quase 30 milhões de pessoas, com taxas médias entre 22% (público) e 51% (privado); 49 milhões recorrem ao não consignado, com cerca de 100% ao ano.
  • O BC, em relatório de política monetária, informou que o endividamento das famílias está próximo de recordes históricos, com aumento da inadimplência.
  • O presidente Lula determinou ao Ministério da Fazenda propostas para mitigar a situação, e Galípolo mencionou o episódio envolvendo dois servidores do BC e o “luto” gerado na instituição.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira 26 que os juros do rotativo do cartão de crédito são desproporcionais e defendeu uma discussão estrutural sobre alternativas mais adequadas às famílias. Ele destacou que muitos brasileiros recorrem a linhas emergenciais, que trazem custo elevado ao ano, superior a 100%.

Segundo Galípolo, o rotativo contribui significativamente para o endividamento do país. O BC aponta que há 101 milhões de clientes de cartão de crédito, sujeitando-se a juros altos em caso de atraso. API de janeiro aponta o rotativo com uma taxa anual de 424,5%.

Ele explicou que a solução não é simples e requer condições que reduzam o risco para as instituições financeiras, facilitando acesso a linhas compatíveis com as necessidades do cidadão. O tema envolve alternativas que mantenham a escolha do consumidor sem restringi-la inadequadamente.

Panorama de endividamento e alternativas

O relatório de política monetária do BC indicou que o endividamento e a fatia da renda comprometida atingiram níveis históricos, com aumento da inadimplência devido a choques econômicos recentes. Galípolo defende possibilidades que promovam maior transparência e custo mais baixo para quem utiliza crédito.

A autoridade monetária aponta ainda que o orçamento das famílias vem sendo pressionado pelo aumento de preços, agravado por choques globais. A meta é reduzir o peso do crédito caro, sem restringir o acesso responsável ao crédito.

Caso Master e impactos internos

Durante a coletiva, o presidente comentou o impacto do caso Master sobre o BC, citando um processo de luto e consternação entre os servidores. Dois ex-funcionários da instituição foram afastados administrativamente após apurações da PF apontarem recebimento de vantagens indevidas.

Galípolo reiterou que a ética, a governança e o mandato do Banco Central são valores centrais da instituição. Ele ressaltou a pronta resposta da casa para sanear problemas e manter a integridade do órgão.

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