- O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que o conservadorismo da política monetária em 2025 deu “gordura” para analisar os efeitos da guerra no Oriente Médio e que o mercado entendeu a calibragem da Selic como cortes de juros.
- Ele afirmou haver tempo para entender como o conflito entre EUA e Israel contra o Irã pode impactar a economia brasileira, inclusive pela produção e preço do petróleo.
- Segundo Galípolo, bancos centrais têm concluído que choques de oferta tendem a aumentar a inflação e reduzir a atividade; é necessário estudo aprofundado sobre os efeitos no Brasil.
- O Copom já cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,75% ao ano, e o BC sinalizou início de um ciclo de calibragem com maior incerteza.
- Intervenções no câmbio seguem a orientação de sempre; o Tesouro decide sobre leilões de títulos públicos, e o BC anunciou mais dois leilões de linha.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o conservadorismo da política monetária em 2025 deixou espaço para analisar os efeitos da guerra no Oriente Médio. Ele disse que a calibragem da Selic se refere a cortes de juros e que o mercado entendeu essa leitura.
Segundo Galípolo, o momento permite ao BC entender desdobramentos da guerra e seus impactos na economia brasileira. Ele destacou que choques de oferta, como no petróleo, tendem a pressionar a inflação e reduzir a atividade econômica.
O dirigente ressaltou que o cenário de incerteza ampliou a faixa de projeções do BC, conferindo mais tempo para avaliação dos efeitos externos. Ele mencionou ainda que o Brasil é exportador de petróleo, o que influencia o monitoramento.
Na semana passada, o Copom cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,75% ao ano, destacando o aumento da incerteza com a guerra. O BC comentou iniciar um ciclo de calibração da política monetária.
Para Galípolo, o mercado entendeu a calibragem como ajuste progressivo de juros, não como mudança de direção abrupta. Ele disse que essa leitura está amplamente difundida entre agentes financeiros.
O presidente do BC também comentou o episódio envolvendo servidores do BC em atos sob investigação sobre o Banco Master, afirmando que gerou consternação e um processo de luto entre servidores.
Ele defendeu a aprovação de emenda constitucional que confere autonomia financeira ao BC e do projeto de resolução bancária, que ampliariam instrumentos de atuação institucional.
Intervenções no câmbio seguem orientadas pela prática histórica do BC, com o Tesouro definindo ações no mercado de títulos públicos. Desde o fim de fevereiro, operações como o casadão e leilões de linha foram usadas para reduzir volatilidade.
Nesta quinta-feira, o BC anunciou dois novos leilões de linha no contexto da guerra. O órgão costuma atuar para corrigir disfunções no mercado cambial, segundo Galípolo, e elogiou a condução atual.
O Tesouro, por sua vez, tem decidido sobre leilões de títulos para manter liquidez e evitar distorções na curva a termo brasileira, complementando as medidas do BC.
Entre na conversa da comunidade